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DDM consegue prisão de homem acusado de estuprar a enteada

GERALDO DIAS NETTO | 27/08/2018 | 21:20

Um ajudante de eletricista de 51 anos teve a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara Criminal de Jundiaí após pedido feito pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para colocá-lo atrás das grades. Mauro de Jesus Roncoleta é acusado de abusar sexualmente da enteada, atualmente com 16 anos, desde os 12 anos da jovem. Com a decisão da Justiça, ele pode permanecer preso até o julgamento do processo e ser condenado a uma pena de até 15 anos de reclusão, conforme prevê o delito de estupro de vulnerável, crime pelo qual responde.

O requerimento ao Judiciário foi feito pela delegada titular da DDM, Maria Beatriz Curio de Carvalho, explicou a investigadora-chefe Lilian Picchi. De acordo com a policial, o pedido teve por base diversos indícios obtidos pela unidade especializada, incluindo o próprio depoimento da adolescente, que deu detalhes sobre os abusos que sofreu por anos.

Roncoleta é pai de outra criança, de 11 anos, junto com a mãe da jovem vítima de abuso. Ele negou o crime e chegou a ser preso em flagrante por descumprir medida protetiva concedida à ex-companheira, com quem viveu por 16 anos e se separou após a mulher registrar um boletim de ocorrência de estupro da filha mais velha. Em depoimento, a mãe da adolescente disse nunca ter desconfiado do marido, só descobrindo as acusações contra ele após a filha passar as férias escolares com os avós e não querer voltar mais para casa. O motivo, ao indagar a filha, seria a violência sexual que sofreu desde os 12 anos, quando ficava sozinha com o padrasto.

Já a garota, ao dar detalhes, contou que o primeiro abuso foi praticado enquanto o adulto assistia a um filme pornô no tablet, deitado na cama, no mesmo quarto em que ela dormia, numa cama de solteiro. Ela disse que pediu ao padrasto para jogar no aparelho e se afastou quando viu a cena de sexo no dispositivo, mas ele foi até sua cama e abaixou seu pijama, colocando a mão na boca para ela não gritar. A depoente disse ter havido penetração naquele dia e que chorou de dor, mas não conseguiu contar para a mãe, que estava fora, principalmente pelas ameaças feitas pelo padrasto, incluindo a de que mataria a companheira.

Prisão
Lilian Picchi explicou que a garota deu detalhes sobre outros abusos praticados pelo adulto e uma ação, junto com outra investigadora da DDM (Andrea), foi feita para capturar o acusado assim que a Justiça concedeu sua prisão preventiva. Conforme dispõe o artigo 217-A do Código Penal, comete estupro de vulnerável aquele que tem “conjunção carnal” ou pratica “ato libidinoso com menor de 14 anos”. A pena aumenta para até 20 anos em caso de a conduta resultar em lesão corporal grave, e 30, caso ocorra a morte da vítima.

Números
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, houve aumento de 15,7% no número de abusos sexuais no Estado neste ano, na comparação com o mesmo semestre do ano passado, quando 5.280 boletins de ocorrência foram registrados.

Os dados são alarmantes, pois revelam que 71,7% de todos os estupros foram cometidos contra menores de 14 anos, totalizando 4.383 boletins de ocorrência. No ano passado, a quantidade de tal delito chegou a 67,5% de todos os 5.280 casos, fechando o semestre com 3.565 estupros de vulneráveis.

Em Jundiaí, o primeiro semestre deste ano fechou com 50 casos, com 33 deles contra menores de 14 anos, ou seja, 66% do número total. Destes, a maioria foi cometida em abril (9), seguido por março (8), maio (7) e três casos em cada mês restante.Já o primeiro semestre de 2017 fechou com 30 boletins de ocorrência (66,6% menos casos na comparação dos períodos), com 25 deles se relacionando a estupros de vulnerável, ainda segundo a SSP. Responsável pelas estatísticas criminais de todo o Estado, a pasta divulga seus números todo dia 25.

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