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DDM consegue prisão temporária de padrasto acusado de abuso

GERALDO DIAS NETTO | 25/08/2018 | 05:05

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jundiaí cumpriu mandado de prisão contra um vendedor de 42 anos, acusado de abusar sexualmente da enteada, hoje com 10 anos, desde os 7 anos da menina. Ele negou o crime em depoimento à delegada Maria Beatriz Curio de Carvalho. De acordo com a investigadora-chefe Lilian Picchi, a criança também foi ouvida na unidade policial e deu detalhes dos abusos que sofreu durante mais de dois anos. Contou que eles ocorriam sempre que a mãe estava fora, trabalhando, e que era ameaçada para não contar o que acontecia dentro de casa.

Conforme revelou a menina, o primeiro estupro foi cometido em 2016, pouco tempo depois de seu pai morrer em um acidente de carro. Ela contou que a mãe já estava separada, e que o padrasto garantiu que, caso contasse, uma “coisa ruim” também aconteceria com a mulher.

Não suportamento mais a situação, decidiu escrever sobre o que vinha sofrendo em bloquinhos de nota. Para sua sorte, eles foram encontrados por sua mãe, que estava achando estranho o fato de a filha estar sempre triste e resolveu escrever nos mesmos bloquinhos: “Vou sempre estar ao seu lado”.

Mãe

De acordo com a mãe da criança, no dia seguinte após escrever para a filha, estava tomando banho, quando a menina entrou no banheiro. “Ela estava triste e eu a chamei para tomar banho comigo. Perguntei o que estava acontecendo e ela disse ‘o I. me pegou’. Fique chocada”, relatou a mulher, de 42 anos.

Ela explicou que, em razão de a menina estar com vergonha de dar detalhes sobre o que estava acontecendo, lhe deu um diário para que pudesse escrever tudo o que estava sentindo. “Expliquei que esses diários são feitas por uma missionária que trabalha na Índia e faz esses caderninhos para ajudar crianças violentadas naquele país.”

A mulher contou que tirou a filha de casa e a mandou para ficar com uma amiga. Inventou, então, uma história ao companheiro e ele não desconfiou, apesar de reclamar que a enteada estava ficando bastante tempo fora. Ao ler o diário, foi buscar a menina e juntas foram imediatamente até a DDM para registrar um boletim de ocorrência.

Ela contou que pediu a separação ao acusado, mas este se negou a dar, já que o casal, que se relacionava desde 2013, tem um filho de um ano e sete meses. Afirmou ainda temer que ele fugisse e não fosse mais encontrado. Segundo a investigadora Andrea, que participou da captura do acusado, a prisão temporária obtida pela DDM tem prazo de 30 dias. Ela explicou que o detido será processado por estupro de vulnerável, cuja pena pode chegar a 15 anos de reclusão.

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