Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

DDM manda para trás das grades padrasto que abusou de menina

GERALDO DIAS NETTO | 25/04/2018 | 21:07

Um ajudante de motorista de 36 anos foi mandado para trás das grades após investigação da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) que descobriu inúmeros abusos sexuais praticados por ele contra a enteada de 12 anos, portadora de deficiência mental. A menina, conforme revelou a investigação, já havia sido estuprada, anos atrás, pelo tio, preso recentemente também pela DDM pelo abuso de uma criança de oito anos enquanto permaneceu na casa dos pais da menina, que lhe deram abrigo por ele estar desempregado.

Ricardo Augusto dos Santos vai responder processo por estupro

Ricardo Augusto dos Santos vai responder processo por estupro

Hoje (24), a unidade, considerada especializada da Polícia Civil de combate a crimes contra mulheres, realizou a prisão do ajudante de motorista no Hospital de Caridade São Vicente de Paulo depois de obter a informação de que ele iria até a instituição médica visitar um parente.

Em posse de um mandado de prisão, requerido pela delegada Maria Beatriz Curio de Carvalho ao Poder Judiciário, a equipe (investigadora-chefe Lilian Picchi e policiais Andre e Fátima, com apoio do chefe do Canil da Guarda Municipal, Alceu Marestoni, e agente Ícaro) efetuou a detenção, levando Ricardo Augusto dos Santos para ser qualificado na DDM.

O ajudante de motorista não deve ser custodiado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí, uma vez que a unidade não abriga acusados de abuso sexual. Ele deve ser levado a outro centro prisional no Estado de São Paulo e será processo pela 2ª Vara Criminal de Jundiaí, que decretou a prisão por determinação do juiz Clovis Elias Thamê.

Abusos
Em depoimento à delegada Maria Beatriz, a jovem contou que passou a ser abusada quando tinha 10 anos, época em que o padrasto foi suspenso do serviço e começou a ficar sozinho em casa com a criança. “Na primeira vez, eu estava no meu quarto. Era noite. Eu acordei com o Augusto acariciando meu corpo. Perguntei o que ele estava fazendo e ele disse que tinha ido desligar a televisão”.

A menina afirmou que chegou a dizer ao padrasto que não gostava de ser tocada, tendo ele respondido “amanhã a gente conversa”. Neste dia, continuou a menor, o adulto a levou para a escola e garantiu que faria a mesma coisa naquela noite. “Hoje, eu vou mexer de novo. O que você quer de presente”, responde ela “um celular”.

A partir daí, ainda de acordo com a criança, o padrasto começou a ir todas as noites ao seu quarto para consumar os estupros, cometendo tais crimes enquanto a companheira, de 41 anos, dormia. Ao fazer 11 anos, informou a menor, pediu outro celular, pois o dela estava “ultrapassado”, e novamente recebeu um aparelho do adulto, que manteve os abusos sexuais.

“Quando minha mãe engravidou, o Augusto ficou preocupado de eu engravidar (sic). Perguntei por que ele não fazia aquilo com minha mãe, mas ele disse que era porque ela estava grávida”.

Naquela mesma época, disse a criança, sua mãe chegou a lhe perguntar se o padrasto estava fazendo algo de errado, pois o sentia “distante”, mas a filha respondeu que não, pois “não queria magoá-la”, já que sabia que a mãe “adorava o Augusto”.

Antes mesmo de completar 12 anos, afirmou a criança, decidiu dar um basta nos abusos e pediu a chave do quarto para a mãe, alegando que o padrasto estava entrando no quarto para vê-la dormir ou se trocar. Não foi atendida pela mãe e, à noite, foi mais uma vez estuprada.

Ela contou que chegou a gritar naquele dia e teve o telefone retirado pelo homem, mas “precisei deixar ele mexer comigo mais um pouco para ele devolver o celular”. “Depois, ele queria mais e eu não quis e comecei a gritar de novo. O Augusto é muito pesado e estava me incomodando”.

Tio
Segundo a policial Lilian, apesar de o tio da criança ter sido detido pelo abuso de outra menina, a DDM também irá requerer à Justiça um mandado de prisão para o parente. A medida deverá reforçar a custódia do homem, de 49 anos, na unidade prisional em que se encontra, possibilitando ainda que ele responda por mais um crime de abuso sexual.

Tanto o tio como o padrasto irão responder por estupro de vulnerável. O delito é previsto pelo artigo 217-A, que estipula pena de reclusão, de oito a 15 anos, a quem cometer “conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos”.

O artigo também determina que “incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.”


Link original: https://www.jj.com.br/policia/ddm-manda-para-tras-das-grades-padrasto-que-abusou-de-menina/
Desenvolvido por CIJUN