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De moradores de rua a ricos, todos são abordados na ‘biqueira’ em busca de droga

Fábio Estevam | 29/05/2020 | 19:16

Na semana passada o Jornal de Jundiaí publicou matéria chamando a atenção para o seguinte: em plena quarentena, com isolamento social e com o comércio sendo obrigado a fechar as portas, as ‘lojinhas’, como também são conhecidas as ‘biqueiras’ ou pontos de venda de drogas, são as únicas que continuavam funcionando. Mas quem são os clientes? Quem são os usuários que sobem os morros todos os dias atrás de drogas e financiam esse comércio ilegal? Segundo policiais ouvidos pela reportagem, já se foi o tempo em que apenas pobres viciados iam atrás da drogas. Entre usuários abordados em biqueiras estão, desde pessoas em situação miserável, como moradores de rua, quanto de classe média-alta, como advogados e até mesmo médicos.

A identificação de quem chega na biqueira para comprar a droga geralmente é feita por um policial militar ou um guarda municipal. São eles que, quando tentam ou conseguem um flagrante, acabam permanecendo no local por algum tempo abordando usuários que chegam em busca de crack, cocaína, maconha ou lança-perfume, em porções que variam de R$ 5 a R$ 50. Estas são as drogas hoje encontradas na região e especialmente em Jundiaí, onde de janeiro a abril deste ano foram feitos 69 flagrante de tráfico de entorpecentes, e cidade onde foram registradas 34 ocorrências de porte de drogas para consumo pessoal.

De acordo com o tenente PM Iuri, da 2ª Cia do 11º Batalhão, “quem vai aos pontos de venda são as pessoas de classe baixa, média e média-alta. Abordamos desde o morador de rua a médicos, engenheiros, empresários policiais, bombeiros, advogados, professores. São pessoas que vão a pé ou de carros Zero e até importados”, comentou ele. “Ninguém mais hoje em dia tem medo de ir a um bairro de periferia comprar drogas, afinal são eles que levam o dinheiro, são clientela, e ninguém fará mal a eles”, salientou.

Muita coisa por trás disso

Marcel Fehr, delegado há 21 anos e hoje responsável pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Jundiaí disse que, nas biqueiras, vão pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais. “Quem sustenta o tráfico é o usuário e, a questão de se acabar com esse crime que acontece no muito inteiro, não é só de segurança pública. É uma questão de prevenção, que vem do berço, passando por questões sociais, de educação, de falta de lazer… e as vezes dentro da própria residência, de desestrutura familiar e que leva a pessoa a buscar refúgio no uso de álcool e drogas”, disse ele, ressaltando que todos estão sujeitos a muitos desses problemas. “Nos pontos de drogas vão todos os tipos de pessoas, mulheres e homens (muito mais homens). E eventualmente nos deparamos com intermediários – que vão buscar a droga a mando de alguém que não se arrisca -, e que não deixam de ser traficantes, também”, comentou.

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