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Assaltante sequestra mulher, obriga ela a comprar ‘presentes’ para namorada dele e foge

GERALDO DIAS NETTO - gnetto@jj.com.br | 26/03/2018 | 20:10

Uma empresária de 38 anos foi vítima de sequestro-relâmpago cometido por um condenado por roubo, beneficiado com saída temporária de Páscoa antecipada pelo Poder Judiciário para os dias 9 a 13 deste mês. O caso foi descoberto pelo 1º DP de Jundiaí, que conseguiu recuperar aproximadamente R$ 4 mil de objetos roubados da mulher. Um boletim de ocorrência foi registrado no último dia 16 pela empresária, explicou o investigador-chefe Marcio Piovesan. Ele contou que a mulher foi chamada para prestar depoimento e contou ter sido abordada pelo criminoso logo após deixar seu filho pequeno na escola, quatro dias antes. Segundo o relato da mulher, o assaltante a fez voltar ao carro, um Honda Hr-V, e entregar cartões de crédito e dinheiro. Ela teria dito que não os possuía naquele momento, já que tinha deixado em casa, quando então foi obrigada a ir até sua residência para pegá-los.

“Ela afirmou que seu marido e a empregada estavam em casa, mas disse que o criminoso garantiu que sabia quem era seu filho, o que a fez ficar com mais medo ainda. Por isso, pediu para a empregada levar os cartões nas proximidades de um supermercado”, disse o policial. O investigador-chefe explicou que, conforme o relato da empresária, o bandido a fez ir a um shopping e ali andaram de mãos dadas, comprando produtos em diversas lojas, incluindo uma correntinha e uma bonequinha para a namorada do criminoso, dois pares de tênis e um aparelho celular no valor de R$ 2 mil. Após isso, obrigou que fosse deixado nas proximidades do Terminal Cecap, onde desceu com as compras e desapareceu, liberando a empresária para ir embora.

Caso estranho
Marcio disse ter desconfiado da história da mulher, chegando mesmo a indagá-la por qual motivo não pediu ajuda no shopping, por onde andou de mão dada com o criminoso, que não estava armado, em meio a populares e seguranças, inclusive entrando em lojas para fazer compras. “Comentei que a verdade seria descoberta e ela garantiu que o que estava dizendo era o que, de fato, tinha ocorrido. Eu disse, então, para ela ficar tranquila, pois o caso começaria a ser investigado imediatamente”, contou o investigador-chefe. Segundo ele, um detalhe comentado no depoimento chamou sua atenção: ao ir à loja de celulares para comprar um aparelho, que pagou à vista, o criminoso o teria habilitado. “Fomos até o estabelecimento e funcionários disseram que se lembravam da compra, já que não é tão comum uma compra de celular no valor de R$ 2 mil à vista”, disse Marcio. Ao ser fornecido o cadastro do comprador, explicou o policial, tal nome foi pesquisado e, para a surpresa da equipe do 1º DP, descobriu-se que se tratava de condenado da Justiça atualmente cumprindo pena em regime semiaberto na Penitenciária Álvaro de Carvalho, a 433 km da capital paulista.

Esclarecendo
O investigador-chefe contou que, com autorização do delegado Josias Guimarães, titular do 1º DP, foi requerido à unidade prisional o cadastro do preso, que contém sua foto. Identificado como Wesley Souza Santos, de 27 anos, a imagem foi apresentada à empresária, que o reconheceu “sem sombra de dúvida”, incluindo a tatuagem que o condenado tem em uma das mãos, uma letra “w”. Marcio contou que a equipe também descobriu, em conversa com agentes da penitenciária, que o preso havia deixado a unidade no dia 9 deste mês, beneficiado com a saída temporária de Páscoa, e retornado no dia 13, um dia após a ocorrência do sequestro-relâmpago. Mais do que isso, o 1º DP identificou para quem o condenado havia feito a primeira ligação com o celular comprado durante o crime, descobrindo que se tratava de uma mulher com quem ele se relacionava. Uma visita ao imóvel de tal pessoa resultou no encontro de todos os objetos comprados com o dinheiro da empresária, incluindo os pares de tênis e o aparelho celular.

Criminoso
Segundo o investigador-chefe, a moradora confirmou que os objetos haviam sido deixados por Wesley. Ela contou que teria perguntado ao homem, com quem se relaciona esporadicamente, sobre como teria conseguido o dinheiro para comprá-los, ouvindo dele que trabalhava na penitenciária e, por isso, recebia pagamento. Marcio explicou ainda que o condenado já havia sido preso em 2010 por crime semelhante, e que um mandado de prisão preventiva irá ser requerido ao Poder Judiciário contra ele para reforçar sua custódia na unidade prisional. Disse ainda que a empresária comentou que pensava em trocar de carro e mudar de endereço pelo ocorrido, e que se tranquilizou ao saber que o autor do sequestro-relâmpago estava atrás das grades.


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