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Fiesp vai à Justiça contra tabelamento de frete

das agências | 07/06/2018 | 05:26

Duas das principais entidades empresariais do país — a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) — subiram o tom contra a decisão do governo de tabelar os preços do frete rodoviário, atendendo a uma reivindicação dos caminhoneiros para por fim à greve da categoria, que paralisou o país por quase duas semanas. A CNI, que representa as associações e federações estaduais de indústria, informou que avalia possíveis medidas judiciais e administrativas contra as normas que estabeleceram valor mínimo de transporte de carga para o Brasil. A Fiesp também estaria preparando ações na Justiça conta a medida. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, a CNI alerta para os prejuízos que a medida vai causar à economia e à população.

“A medida estabelecida pelo governo e regulamentada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já impacta todos os setores da indústria e terá efeitos imediatos no bolso dos consumidores, uma vez que o preço dos fretes aumentou substancialmente”, diz a CNI, citando o caso do arroz, cujo os custos com transporte pelas rodovias do país deverá aumentar de 35% a 50% no mercado interno e de 100% para exportações. “Na indústria de aves e suínos, o impacto do tabelamento sobre o custo do transporte foi calculado em 63%”. O frete de rações para alimentar os animais, explica a CNI, tende a aumentar 83%, e no setor de papel e celulose, a alta do preço com transporte será de 30%. “O aumento do frete nestes e nos demais setores, certamente, deixará as mercadorias mais caras, penalizando ainda mais a população”, diz a entidade. Um reunião foi realizada nesta quarta-feira, na sede da CNI, em Brasília, para avaliar os impactos da greve de mais de dez dias dos caminhoneiros sobre o setor industrial. E também das medidas anunciadas pelo governo para suspender o movimento. “É consenso no setor que a tabela de preços mínimos é insustentável”, diz a CNI.

A entidade patronal destaca ainda as perdas do setor com a redução da alíquota do programa Reintegra, que restitui impostos indiretos cobrados na cadeia produtiva das exportações, além da reoneração da folha de pagamento, que aumentou a carga tributária para 28 setores da economia. “A avaliação é de que não só cidadãos comuns e empresários, mas também os próprios caminhoneiros autônomos terão prejuízos incalculáveis com a medida”, diz a CNI, observando que tão logo a tabela de preço mínimo do frete entrou em vigor, diversas indústrias “reduziram as remessas de cargas e outras estão avaliando verticalizar a operação, o que significa a montagem de frotas próprias de caminhões, em razão dos altos preços do frete”.

Foto: Antônio Cruz/ABr

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