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Garota violentada chama pelo irmão e família se diz revoltada

| 28/06/2014 | 00:05

A garota de 12 anos vítima de abuso sexual praticado pelo próprio tio no último dia 19, em Jarinu, disse, nesta sexta-feira, suas primeiras palavras após a retirada de aparelhos de respiração artificial que a ajudaram a sobreviver na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Jundiaí, onde ela permanece internada, em estado grave. “Mãe, como está meu irmãozinho?”, indagou, desconhecendo o destino que teve o caçula da família, de dois anos e morto por espancamento, quando ambos estavam sozinhos em casa, aguardando os pais voltarem do trabalho. “Ele está bem”, respondeu a mãe para tranquilizar a filha, fazendo com que os olhos da criança se enchessem de lágrimas. 

Tancredo Nakassu Junior, 33 anos e usuário de drogas, chegou a confessar os bárbaros crimes a um policial, que, pelo telefone celular, se passou por um conhecido e ouviu o relato do que aconteceu na casa na manhã do dia 19. Ele, que teve a prisão decretada nesta semana pela Justiça, está foragido e uma força-tarefa montada pela polícia o procura em toda a Região.

Nesta sexta-feira,  avô e pai das crianças conversaram com a reportagem do Jornal de Jundiaí Regional em Jarinu e explicaram um pouco do drama vivenciado nos últimos dias pela família, que pede justiça. Bastante abatida e fazendo uso de calmantes, a mãe dos jovens preferiu não comentar o ocorrido. Do portão da casa do sogro, despediu-se para poder voltar a descansar no interior do imóvel, para onde ela e o marido se transferiram, entre idas e vindas do hospital, enquanto aguardam a recuperação da filha. 

Crimes – Segundo o avô dos jovens, Tancredo não gostava da sobrinha, a quem se referia como “folgada”. “As meninas gostam de ficar à vontade, sentar no computador, ver televisão, e ele achava aquilo errado, que ela era muito folgada, que não fazia nada. Mas criança é assim mesmo”, observou.

Ele comentou que, sobre o que aconteceu na casa da filha, o próprio tio revelou o que fez aos sobrinhos na ligação telefônica em que o policial se passou por um ex-patrão seu, também ameaçado de morte por Tancredo, por supostamente lhe dever dinheiro. “O policial perguntou: ‘meu, que patifaria você fez? A polícia pensa agora que estou envolvido com você’. E ele respondeu: ‘aquela menina chata começou a me encher o saco. Eu tava no banho, ela queria usar o banheiro e ficou batendo na porta. Eu abri e arregacei na porrada mesmo. Bati a cabeça dela na parede e fui socando mesmo, enforcando’. ‘E a criancinha?’ ‘Ah, começou a chorar e eu desci o cacete”, relatou o avô sobre a conversa.

Ele comentou ainda sobre o momento em que seu filho chegou ao imóvel, retornando do trabalho. “Ele viu a cachorra entrando na casa e foi falando com a filha que não era para deixar a porta aberta. Só que ninguém respondeu. Ele entrou e viu a menina de um lado e o menino do outro, cheios de sangue. Aí, meu moleque ficou louco. Pegou meu neto, que estava agonizando, e disse ‘o pai está aqui’. Como ele tinha visto o vizinho ao entrar em casa, pediu ajuda neste momento para socorrer minha neta também”, explicou. 

Japão – Ainda segundo o avô das crianças, a família busca explicação para o ocorrido. De Tancredo, comentou sobre os três anos em que este viveu no Japão, dos quais trabalhou por apenas seis meses e permaneceu o restante preso, por envolvimento com drogas. “Quando voltou [ao Brasil], estava virando mendigo junto com uma menina de Diadema. Começaram a fazer pequenos furtos para poder comprar drogas e foram presos. Quando ele saiu, procurou a irmã e meu filho para pedir uma força. Então, internaram em uma clínica de recuperação por oito meses. Ele saiu e ficou um pouco mais de um mês na casa do meu filho e foi morar com uma tia. Estava há quatro dias vivendo lá quando fez aquilo [ataques].”


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