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Grupo de mulheres acusa tatuador de assédio sexual e estupro em estúdio de Jundiaí

GERALDO DIAS NETTO - gnetto@jj.com.br | 19/03/2018 | 19:58

Um grupo cada vez maior de mulheres vem, já há algum tempo, se manifestando em redes sociais contra um tatuador de Jundiaí. As acusações vão de assédio sexual a estupro, e algumas, de São Paulo, chegaram a procurar a Polícia Civil da capital para o registro de boletins de ocorrência. De acordo com as queixas, os ataques ocorreram em Jundiaí durante colocação de piercings e de modificação corporal, procedimentos também realizados pelo profissional em seu estúdio, na região central. Pelo menos 20 mulheres já teriam se manifestado nas redes sociais contra o tatuador, segundo uma jundiaiense, que pediu para não ser identificada e que ajuda uma das supostas vítimas a reunir provas contra o acusado. Ela afirmou já ter feito uma modificação corporal com o tatuador, mas que não chegou a sofrer assédio na ocasião, já que estava com o marido.

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“Acredito que ele só me respeitou porque eu estava com um homem”, observou, acrescentando estar impressionada com a quantidade de relatos contra o profissional. Em um deles, ao qual a reportagem teve acesso, uma mulher garantiu ter sofrido um abuso sexual no estúdio do acusado, a quem chamou de “monstro”. “Há mais de um ano ele me estuprou no estúdio dele, tem sido difícil eu levar a vida normalmente depois disso por conta do trauma que fica. Aos poucos eu vou aprendendo, junto com a terapia, que não foi minha culpa o que ele fez comigo e que eu preciso deixar isso de lado pra seguir em frente (sic).” Outra mulher, no Instagram, chegou a publicar em seu perfil uma foto em que mostra parte de seu rosto e segura um cartaz, dizendo ter sido assediada pelo tatuador, que é identificado pelo nome, com os dizeres ainda “Jundiaí – SP”.

Acusações
Conforme relato de mais uma denunciante, o suposto abuso ocorreu em 2011, quando foi ao estúdio do acusado para “tirar uma dúvida sobre perfuração no mamilo”. “Ele achou que seria mais fácil me explicar utilizando meus seios como referência. Ele levantou minha blusa e meu sutiã e tocou meu mamilo, dizendo que não tinha malícia nenhuma, que era só demonstração”. Já outra garantiu ter sido assediada pelo tatuador aos 16 anos. “Na real quase estuprada. Quando eu tinha 16 anos ele foi dar um curso de piercer em Goiânia q eh minha cidade natal e ficou hospedado na casa de um amigo. A gente ficou. Uma hora ele me levou para um canto escuro e a gente tava se beijando e ele queria colocar a mão dentro de minha calcinha e eu tentei impedir. Quando tentei impedir ele prendeu as minhas mãos pra trás numa força BEM BRUTA e continuou (sic)”.

Boletim de ocorrência
Em fevereiro de 2012, duas irmãs, de 13 e 16 anos, procuraram a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência contra o tatuador. Em companhia da mãe, contaram que estiveram no estúdio do acusado – onde o irmão de ambas havia feito uma tatuagem – com a intenção de colocar um piercing, pois sabiam que ele não questionava menores de idade sobre a necessidade de autorização para o procedimento. Ali, foram levadas a uma sala cheia de “objetos obscenos”, de borracha e plástico, tendo a adolescente mais nova tirado umas fotos do espaço. Ela também teria sido convidada pelo homem, de cerca de 30 anos à época, para sair, dizendo ter pensado em aceitar o convite. Ao descobrir o ocorrido, no entanto, a mãe das jovens decidiu procurar a polícia, para quem garantiu não ter dado autorização para as filhas colocarem piercing. Já a filha mais nova informou não ter passado pelo procedimento apenas por não ter dinheiro naquele dia.

Caso de polícia
Apesar de parte das supostas vítimas serem de Jundiaí, nenhum boletim de ocorrência de assédio sexual ou estupro chegou a ser registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) local. De acordo com a investigadora-chefe Lilian Picchi, da equipe da delegada Maria Beatriz Curio de Carvalho, a unidade deve ser procurada pelas mulheres que sofreram qualquer tipo de abuso, para que um inquérito policial seja instaurado e, assim, todas as denúncias sejam apuradas pela polícia.


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