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Irmãs de 10 e 11 anos denunciam pai por estupro em Jundiaí

Fábio Estevam | 29/04/2020 | 15:40

Duas irmãs, de 10 e 11 anos, contaram para a mãe quem uma delas, a de 11, foi estuprada pelo pai, com quem passaram a ter convivência recentemente após um grande período de ausência na vida delas. Os abusos, segundo elas, ocorreram na casa dele, no Centro de Jundiaí. De acordo com elas, o último abuso cometido pelo pai foi na madrugada desta quarta-feira (29).

A mãe procurou a Polícia Civil e contou que o pai, que sempre foi ausente, buscou aproximação com as filhas no final de 2019 e, desde então, tem lhes buscado a cada 15 dias para algum tempo com ele. Por volta das 1h30 desta quarta-feira a mãe recebeu uma mensagem via WhatsApp, da filha de 10 anos, com a seguinte mensagem: “mãe, minha irmã me contou que o pai fez ela passar a mão na parte íntima dele e a gente está com medo de ele fazer fazer alguma coisa”.

Desesperada ela a mãe chamou dois irmãos seus e foi até a casa do pai para buscar as meninas e questioná-lo sobre a denúncia. Ele, de pronto, negou que tenho cometido o estupro. Ela então resgatou as filhas e foi até o Plantão Policial.

No caminho para a delegacia, a mãe abordou a filha sobre o ocorrido, que lhe contou que o pai havia passado a mão em suas partes íntimas e colocado a mão dela dentro da cueca dele. Depois, segundo ela, ele pediu desculpas, admitindo culpa pelo que estava ocorrendo, enquanto estava com o rosto encostado no peito dela.

O caso foi registrado pelo delegado Edson Antônio dos Santos como estupro de vulnerável e será encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

 

Gravidade para o futuro

Segundo a psicóloga Márcia Portes, é alto o nível de gravidade de um estupro contra uma criança para o futuro dela, sobretudo quando esse abuso é cometido por quem deveria protegê-la. “A criança tem no pai a figura de um protetor, alguém que deve protegê-la. Quando ele comete o abuso contra a filha, ele está ‘dizendo’ que ela não tem valor algum. É psicológico, mas é essa a mensagem que ela recebe”, disse Márcia.

De acordo com a profissional, no caso das duas irmãs, é imprescindível que elas passem por terapia. “Elas precisam ser acompanhadas para que esse trauma não se torne uma neurose, para que se tente impedir que elas tenham lá na frente, relacionamentos abusivos, que é o que geralmente acontece”, comentou ela.

O medo

Márcia também comentou a coragem que amnas tiveram, com base no medo que sentiram, ao denunciarem o pai para a mãe. “Quando a criança é abusada desde muito pequena, aquilo pode durar anos, pois para ela aquela situação parece normal, ela sempre viveu. Mas nesse caso, crianças com 10 e 11 anos já sabem o que é sexo, sabem do que se trata e como deve ser. E elas sabiam que dessa forma, com o pai, era errado. E ao sentirem medo por saber que aquilo seria errado, acabaram contando”.


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