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Jundiaí é a cidade com mais mortes no trânsito do estado

VINÍCIUS SCARTON | 06/01/2019 | 04:00

O gestor de Mobilidade e Transporte de Jundiaí, Silvestre Ribeiro, afirma que está programada a instalação de radares na cidade. Segundo ele, a iniciativa tem por objetivo reduzir a velocidade e também acidentes graves.

Jundiaí está em primeiro lugar no estado quando existe a junção de acidentes com vítimas fatais, entre o perímetro urbano e rodovias, o que corresponde a 25,9 mortes a cada 100 mil habitantes, deixando para trás cidades como São Paulo (com média de 7,84), Campinas (com 14,35), Sorocaba (com 15,17), Ribeirão Preto (com 13,5), entre outros municípios.
De acordo com Ribeiro, Jundiaí tem uma relação de mortes no trânsito pela quantidade da população, o que acarreta em um dado negativo, conforme levantamento do Infosiga (Movimento Paulista de Segurança no Trânsito), de janeiro a novembro de 2018.

O cálculo levou em consideração a quantidade da população de Jundiaí (370.126 pessoas), dividido por 100 mil habitantes, totalizando 3,70. Posteriormente, através dos números de mortes do perímetro urbano municipal e rodovias (96), apontados pelo Infosiga e divididos por 3,70, o resultado obtido corresponde a 25,9 mortes.

OUTROS NÚMEROS

Em 2017, por exemplo, o gestor detalha que morreram 28 pessoas no trânsito urbano de Jundiaí. Já em 2018, até o mês de novembro foram 26. “Nós fizemos uma série de ações, inclusive operacionais, de sinalização de trânsito, além de campanhas de conscientização. Ainda assim, os números de 2018 foram parecidos com 2017, embora tenham sido menores que 2016, com registro de 35 mortes”, descreve.

Quanto à programação de instalação de radares na cidade, Ribeiro ressalta a necessidade de cumprir a resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que solicita a realização de estudos, de maneira prévia à instalação dos equipamentos. “Em dezembro do ano passado os levantamentos de campo já foram concluídos e o resultado será apresentado em duas semanas. Temos uma estimativa de instalação de 60 a 70 pontos de radares, com objetivo de reduzir velocidade e, naturalmente, reduzir acidentes graves”, explica.

Segundo o gestor, hoje o maior volume de acidentes fatais envolve motociclistas e pedestres. “Atualmente existe um desrespeito à sinalização de trânsito e por isso nós vamos implantar o radar, intensificar a sinalização, além de campanhas de conscientização, principalmente para pedestres”, diz.

Ribeiro enfatiza que, além dos acidentes provocarem mortes e tristezas para familiares, traz despesas para órgãos públicos, principalmente pela imprudência de motoristas que muitas vezes excedem velocidade e também conduzem alcoolizados. “Nós tivemos em 2017, na ordem de 55 mil autuações no município. Já em 2018, devemos ficar na ordem de 40 mil. Afinal, nós atuamos muito mais na operação de trânsito do que na preocupação na autuação”, informa.

Já para 2019, o gestor confirma a retomada da fiscalização de trânsito, com intuito de alcançar maior respeito à sinalização.

PREFEITO

O assunto sobre a implantação do radar voltou à tona no dia 20 de dezembro, quando o prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado, por meio de uma ‘live’ nas redes sociais foi questionado por uma internauta.

Luiz Fernando afirmou que Jundiaí é uma das melhores cidades do Brasil, mas lembrou que o município é o primeiro do estado de São Paulo com mais mortes em acidentes de trânsito.

Disse também que 10% das pessoas que ingressam no Hospital São Vicente são vítimas de acidentes de trânsito. “E por isso, preciso tomar uma providência”, afirmou.

O prefeito ressaltou a importância de cada morte evitada, através de qualquer instrumento de controle. “E vou enfrentar essa discussão, tendo em vista que não aceito radar móvel, nem radar de pistola, nem radar pegadinha, colocado atrás das árvores. Não aceito radar que seja instalado sem uma explicação e por esse motivo contratei um estudo, que se trata de uma própria imposição do Conselho Nacional de Trânsito para preservar a vida, pois muitas pessoas estão sendo atropeladas por excesso de velocidade e estão morrendo em nossa cidade”, diz.

Luiz Fernando enfatiza que gerar uma multa não é um desejo do prefeito, mas uma escolha do cidadão em recebê-la.

Ele também lembrou da avenida 9 de Julho, que em períodos de finais de semana concentram inúmeros jovens e detalhou que há registros de condutores que circulam a 170 km/h e questionou a internauta. “E, como prefeito, não devo tomar providência? O prefeito tem que deixar as pessoas morrerem? Eu vou atuar com muita sinceridade para que tenhamos uma cidade com lei, ordem, regra para que seja cumprida e desta forma ter paz e consciência quando deito para dormir”, explica.

O prefeito cita que o importante não é necessariamente manter o discurso de que não vai multar ninguém. “O importante é enfatizar que se há necessidade de dar a multa, que a mesma sirva para preservar a vida. Além disso, a discussão não é pelo radar, mas sim pela vida”, considera.

Por fim, Luiz Fernando destaca que o cidadão de bem deve ser preservado e respeitar aquilo que acontece na cidade em termos de regramento. “Esse é o tipo de cidade que precisamos construir e nós vamos fazer esse tipo de enfrentamento, que passa por ações do governo de maneira mais educativa e punitiva. Em tempo, reforço que não há, ainda, nenhum radar instalado pela cidade. Não haverá radar pegadinha”, encerrou.

 

 


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