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Justiça mantém preso professor acusado de abusar de estudantes japoneses

GERALDO DIAS NETTO | 23/10/2018 | 14:00

Continua preso o professor de idiomas acusado de estupro de vulnerável em um parque aquático de Itupeva, na tarde de sábado (20). Ele foi detido por policiais militares do 11º Batalhão enquanto acompanhava 10 crianças, de origem japonesa, e uma delas ser vista acariciando as partes íntimas do homem, de 28 anos, identificado como Lucas Alves Maciel.

Fluente em seis idiomas, o professor estava em posse de 21 preservativos e três frascos de lubrificante. Ele é residente na Liberdade, em São Paulo, e há aproximadamente quatro anos dava aulas ao grupo de crianças estrangeiras, que permaneceriam no Brasil por alguns meses, vivendo também, em sua maioria, no mesmo bairro da capital, conhecido por ser o maior reduto da comunidade japonesa fora do Japão.

O policial explicou que nenhuma criança fala português e, por isso, um intérprete precisou ser chamado. A princípio, como os pais dos jovens também não conhecem a língua portuguesa, o professor teria dado sua versão em japonês, o que teria feito com que os estrangeiros ficassem mais tranquilos. Apenas quando o intérprete contou o que havia ocorrido é que os responsáveis legais pelas crianças teriam se mostrado extremamente inconformados, principalmente pelo tempo – quatro anos – que o acusado dava aulas para seus filhos.

Abuso
Segundo relato das testemunhas, o grupo de crianças e o professor estavam na área de alimentação quando um dos menores foi visto tocando as partes íntimas do adulto. “O grupo chamou atenção por falar um idioma diferente e por brincar bastante e uma delas se aproximar do homem, que mostrou um buraco que tinha no shorts, de cor vermelho”, disse a pessoa que presenciou o abuso durante registro do boletim de ocorrência.

A testemunha contou que um jovem do grupo, identificado posteriormente como um menino de 10 anos, colocou o dedo no buraco do shorts do professor, que nada fez. Deixou que criança continuasse, e ela acariciou-lhe os peitos, colocando depois a mão no pênis do professor. “O adulto claramente estava excitado. Foi possível notar que ele teve uma ereção, que era visível pelo shorts.”

Ainda de acordo com o relato, outro menino, de 11 anos, se aproximou e começou fazer a mesma coisa com o professor, que se manteve sentado, sem nada dizer. Foi visto, então, colocando as mãos nos ombros do menino, acariciando seus cabelos, enquanto era tocado nas partes íntimas.

Prisão
Seguranças do parque foram chamados pela testemunha e separaram o grupo de crianças do professor. Chamaram em seguida a Polícia Militar, que encaminhou dois patrulheiros (soldados Fernandes e Feitosa) ao local para conduzir os envolvidos à delegacia do município.

Maciel foi autuado em flagrante por estupro de vulnerável e recolhido no Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista para aguardar audiência de custódia, num prazo de 24 horas. No procedimento, realizado pelo Poder Judiciário, a dinâmica da prisão foi analisada, decidindo o juiz manter a custódia do professor atrás das grades.

Previsto pelo artigo 217-A do Código Penal, tal abuso é cometido contra vítima com menos de 14 anos e sua pena pode chegar a 15 anos de reclusão, subindo para 20 caso resulte em lesão de natureza grave, e 30, se houve a morte do abusado.

Números
A quantidade de estupros cometidos contra menores de 14 anos – registrados como estupro de vulnerável – aumentou 25% em Jundiaí entre os primeiros oito meses de 2017 e 2018. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), foram registrados 35 casos de janeiro a agosto de 2017, enquanto o mesmo período de 2018 já registrou 44 ocorrências na cidade. Apesar disso, o número de crianças e jovens acolhidos na cidade caiu 40%.

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