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Mais da metade dos roubos e furtos de armas em SP são em casas e comércios

Folhapress | 20/01/2019 | 07:42

Uma pistola Taurus 7.65 usada para ameaçar de morte um taxista esteve, apenas quatro meses antes, guardada em aparente segurança em um cofre de 900 quilos.

A arma, registrada, era uma forma de os sócios de um estacionamento se sentirem mais seguros em uma região barra pesada da República, no centro de São Paulo. Em outubro de 2016, ladrões invadiram o local pelo telhado e, com um macaco hidráulico, arrombaram o cofre e levaram vários pertences, entre eles a pistola.

Quatro meses depois, a poucos quilômetros dali, um manobrista sacou aquela mesma arma para ameaçar um taxista durante uma briga de rua no bairro da Consolação. A Polícia Militar chegou a tempo e prendeu o homem – na delegacia, ele alegou ter comprado a pistola de um motoboy.

Assim como no caso do estacionamento, mais de metade dos registros de roubo e furto de armas nos últimos cinco anos no estado de São Paulo ocorreram em residências e comércios, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, obtidos pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação.

Das 11,5 mil ocorrências entre 2014 e 2018, 53% foram nesses lugares – a posse de armas permite que o dono mantenha o objeto em casa ou no local de trabalho, contanto que seja o responsável pelo estabelecimento. Considerando que ao menos uma arma foi levada em cada caso, a quantidade extraviada seria suficiente para equipar o efetivo da Polícia Militar de 16 estados do país.

A posse de armas foi facilitada na terça-feira (15), com decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). O documento, na prática, permite que moradores do país todo possam pedir a posse sem comprovar a efetiva necessidade – foi adotado um critério de taxa de homicídios que atinge todos os estados.

Só é preciso ser maior de 25 anos, ter ocupação lícita e residência certa, não ter sido condenado ou responder a inquérito ou processo criminal, além de comprovar a capacidade técnica e psicológica. Também foi liberado até quatro armas por pessoa e ampliada a validade do registro de cinco para dez anos.

A maioria das armas levadas pelos bandidos são as de uso permitido para cidadãos comuns – 84% são revólveres e pistolas, mais da metade disso de calibre 38 e 380.arma


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