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Mais de uma pessoa desaparece por dia na Região de Jundiaí

GERALDO DIAS NETTO E GUSTAVO AMORIM | 24/06/2018 | 11:30

A dor que aflige muitas famílias, o desaparecimento de pessoas é bastante comum em todo o país. Em Jundiaí e Região, a situação não é diferente e, apenas nos cinco primeiros meses do ano, 217 boletins de ocorrência foram registrados. Todos são apurados pela Polícia Civil, que tem seu próprio procedimento investigatório para resolver os sumiços.

Apesar da quantidade elevada de encontro dos desaparecidos, que pode chegar a 90% dos casos, há episódios em que o final não é feliz. Com média de mais de um registro por dia na Região, há sumiços que nunca foram solucionados, como o do bailarino de Várzea Paulista, Heyws Antyony de Oliveira, em julho de 2014.

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Em seu último contato com a família, o jovem conversou com a mãe por mensagem de texto, dizendo que havia saído para realizar um trabalho. Segundo a irmã, na mesma mensagem, ele disse estar bem. “Este foi o último contato. Achamos que ele estava bem, pois, como trabalhou em navio de cruzeiro por seis anos, não tinha o costume de falar conosco sempre”, explicou Tamiris ao JJ, à época. A ausência de Heyws começou a incomodar quando, com o passar dos dias, ele não entrava em contato e os amigos não conseguiam localizá-lo pelo Facebook e Whatsapp.

De acordo com o delegado Marco Antonio Ferreira Lopes, assistente da Seccional de Jundiaí, os casos de desaparecimentos de toda a Região são concentrados na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí.

Após o registro do boletim de ocorrência, explicou o policial, a unidade, considerada especializada da Polícia Civil paulista, instaura o Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID), que pode dar ensejo a um inquérito policial caso se descubra que o sumido tenha sido vítima de algum crime.

Marco Antônio explicou ainda sobre o período para o registro do boletim de ocorrência, ressaltando que não é preciso esperar 24 horas para comunicar um desaparecimento à polícia.

“Não há norma neste sentido. O que a pessoa tem de ter é bom senso. Se um familiar, por exemplo, volta para casa sempre às 20h e, em determinado dia, não aparece, aconselho aos parentes, num primeiro momento, ligar para o celular da pessoa. Depois, conversar com amigos próximos, passar onde ela geralmente passa, ir em seu local de trabalho.”

Caso o familiar não seja encontrado após tais procedimentos, continuou o delegado, deve-se procurar imediatamente a polícia para o registro do boletim de ocorrência em uma unidade mais próxima, que irá encaminhá-lo para apuração na especializada DIG.

Ferreira Lopes informou que, desde o começo do ano, 284 PIDs foram finalizados pela DIG, que é a única com autorização para investigar os casos. Já em andamento, há 195 procedimentos atualmente, sendo os registros vindos de unidades policiais de Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Itatiba, Louveira, Jarinu, Cabreúva e Morungaba.

FOTO: DIVULGAÇÃO

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A DOR E ANGÚSTIA DE QUEM NÃO SABE ONDE O FILHO ESTÁ

Angústia, medo, sensação de vazio. É assim que Ivone de Souza, 44, está se sentindo desde o desaparecimento de seu filho Willian Tiago de Souza, em 4 de maio deste ano. Moradora de Várzea Paulista, a operadora de caixa atendeu à reportagem do Jornal de Jundiaí ora com voz de consternação, ora com voz embargada de quem poderia desabar no choro a qualquer momento. “Fico assim todos os dias”, contou.

Tiago, como ela chama, foi visto pela última vez em um ponto de ônibus próximo a uma praça na rua das Bromélias, em Várzea. “Estou desesperada. Há nove meses, perdi um filho atropelado, mas sei que foi uma fatalidade e sei onde ele está. Dói, mas meu coração está em paz. O Tiago não. Eu não sei de absolutamente nada. Não sei se ele está bebendo, se ele está comendo, se ele está vivo. Se eu soubesse onde ele estava, eu não ficaria que nem louca procurando”, afirmou angustiada.

No domingo (16), familiares e amigos do jovem fizeram uma caminhada pelo bairro com camisetas para alertar sobre o seu desaparecimento. Na última quinta-feira (21), a Polícia Civil de Jundiaí instaurou um inquérito para apurar o desaparecimento de Tiago.

O CASO
As informações do desaparecimento ainda são desencontradas. A mãe de Tiago contou que, segundo a cunhada, ele tentou beijá-la depois de acompanhá-la em uma entrevista de emprego no dia de seu desaparecimento. As buscas começaram no mesmo dia, com carro e a pé. E a esperança de Ivone não acaba. “Choro quando˜ não vejo meus meninos no quarto. E sei que vou ver o Tiago de novo”. (Gustavo Amorim)

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FINAL FELIZ: TÚLIO VOLTOU PARA CASA APÓS 46 DIAS CAMINHANDO

Desaparecimentos nem sempre têm finais felizes, mas Vivia de Sousa pôde sorrir novamente no fim de 2017.

Era dia de finados e, ao chegar em casa, ela não encontra o seu irmão, José Emanuel Santos de Sousa, ou Túlio para os mais próximos. Aos 34 anos, ficou preocupada. Tentou ligar no celular, mas só dava caixa postal. Um dia, dois dias, três dias. Angústia. Medo. E nenhuma informação sobre o paradeiro do irmão mais novo. “Eu chorava sem parar”, conta a jundiaiense.

28 dias depois, entretanto, uma ligação para o Jornal de Jundiaí chama a atenção da redação. Do outro lado da linha, um sotaque mineiro forte, do interior, com sinais de preocupação, mas também de esperança. Tratava-se da assistente social de Perdões-MG, Mireli Alvarenga. Túlio havia passado pela cidade algumas horas antes e a funcionária pública conversou com o homem, que não quis nenhum tipo de ajuda. “Estava lúcido e disse que voltaria para casa da mesma forma que havia chegado até lá: caminhando”, contou. Procurando pelo seu nome, viu a notícia publicada pelo JJ sobre o seu desaparecimento em novembro de 2017.
Mireli ligou para Vivia no mesmo dia. “Foi uma mistura de medo e esperança”, lembra a irmã, que já estava vendo a chama da procura acabar em seu coração. “Naquele momento eu consegui reunir forças e esperei ele chegar”, disse. No dia 18 de dezembro, a “caminhada” de Túlio terminou em sua casa, para alívio de Vivia.

O JJ conversou com Túlio, que afirmou ter passado por um momento de reflexão. “Me sentia um fantasma no mundo. Era como se tivesse um véu ao meu redor. Eu estava na escuridão”, contou o homem ao Jornal de Jundiaí em janeiro de 2018. No início ele não passou fome nem frio, mas presenciou situações não imaginadas anteriormente, como violências e tráfico: “em nenhum momento pedi dinheiro ou pensei em desistir de meu propósito. Minha irmã e meu cachorro eram a minha maior motivação para voltar para casa”, revelou o homem de 31 anos. (G.A.)

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