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Moradores da Ponte São João estão com medo

DA REDAÇÃO | 28/08/2019 | 05:00

Em um dos bairros em que a violência é mais comum, a grande Região da Ponte São João, a Operação Saturação, da Guarda Municipal, abordou 130 pessoas, apreendeu mais de 1,5 kg de drogas e capturou dois procurados pela justiça – que eram moradores de rua. Seis viaturas da GM foram envolvidas nesta operação. A PM também aumentou o efetivo, com captura de procurados e prisão de criminosos. Segundo o comandante da GM, Benedito Marcos Moreno, até o final do ano o local irá receber o programa Bairro Seguro.

De janeiro até agora o 3º DP de Jundiaí, que atende também a região da Ponte São João, já elaborou centenas de boletins de ocorrência de crimes diversos. Trata-se de um dos bairros que mais sofrem hoje com a criminalidade no município, sobretudo furtos. Para investigar os autores, a delegacia conta com apenas quatro investigadores, comandados pelo delegado Osvaldo Roberto Cândido, que chegou à delegacia com sua equipe há apenas duas semanas e ainda está se inteirando dos trabalhos.

Mas, se as ações policiais se intensificaram naquela região, a prática de crimes já perdura há anos. E, segundo os moradores, vem piorando a cada dia. Conversar na Ponte São João com moradores que já sofreram algum tipo de ação criminosa, principalmente furto, é fácil. José Carlos Olivato, de 72 anos, é morador no bairro há 50 anos. Ele caminhava em frente a Paróquia São João Batista, retornando para sua casa justamente da delegacia, com um boletim de ocorrência na mão. “Um homem parou na porta de casa e ficou olhando no quintal. Como ele não viu ninguém, nem a polícia, pulou o portão e roubou 20 metros de cabo de som da minha perua Kombi, que eu uso para trabalho. Tive mais de R$ 200 de prejuízo. Assisti a tudo pelas imagens das câmeras de um comércio ao lado de casa”, disse ele. “A situação aqui está muito difícil”, afirmou ele, apontando todos os comércios e casas de amigos que já foram furtados ou roubados.

Paulo Bull, de 67 anos, morador no bairro há 42, também já foi vítima. “Temos medo de sair à noite na rua. Já furtaram torneira em casa, batem palma de madrugada no portão alegando que querem vender balas”, conta ele. “Não temos mais sossego. A situação aqui, que há muito tempo é ruim, tem ficado cada vez pior”, comenta.

“A grande maioria dos moradores aqui na Ponte é idosa e os criminosos se aproveitam disso, acham de fácil acesso para furtar e roubar. Se for idoso e não tiver, por exemplo, um cachorro, eles já estão dentro para furtar. Raramente esses idosos têm ainda filho que moram juntos e, em muitas vezes, estão cuidando de netos. Todos estão correndo perigo numa situação de roubo”, disse. “Não se vê viatura andando, os comandos já não existem mais. E, me desculpe, mas não dá nem pra dizer que não tem efetivo (em relação às forças policiais). Em São Paulo eu até concordaria, mas aqui não. A Ponte é região central. E estamos com medo sem segurança”, lamenta Gislaine Gonçalves.

Guarda Municipal

As forças policiais se manifestaram que estão empenhadas em apaziguar a Ponte São João. O comandante da GM, Benedito Marcos Moreno disse que, apesar do resultado satisfatório para essa primeira semana da Operação Saturação, seria aumentada a quantidade de viaturas patrulhando o bairro desde ontem (27) à noite, no período da noite e madrugada. “Nós observamos que a maioria dos furtos acontece de madrugada, então estamos intensificando o efetivo para esses períodos”, disse.

Moreno disse também que a operação em vigência é uma espécie de tubo de ensaio para a futura implantação do Programa Bairro Seguro, que está sendo estruturado. “A questão da segurança na Ponte não passa apenas por prisões e apreensões. É preciso envolver departamentos de saúde e assistência social, sobretudo por causa dos moradores de rua, muitos deles usuários de drogas. A preocupação é oferecer tratamento de saúde a quem se interessar. E tudo isso fará parte do Bairro Seguro, que também contará com 20 novos GMs que estarão formados até dezembro deste ano. O programa vai começar pela Ponte São João”.

Polícia Militar

Já a Polícia Militar, por meio de assessoria de imprensa, se manifestou sobre a situação do bairro. “O Comando do 49º Batalhão de Polícia Militar, por intermédio do comandante da 1ª Companhia, esclarece que vem sendo realizado patrulhamento diuturnamente. Inclusive são feitas rondas, conforme o Cartão de Prioridade de Patrulhamento, principalmente no período da madrugada para coibir furtos e roubos. Destacamos que também são realizadas operações como “Direção Segura”, “Saturação”, “Servir e Proteger”, “São Paulo Mais Seguro” e “Interior Mais Seguro”. Grande parte dos flagrantes e prisões realizadas pela área da 1ª Companhia tem acontecido nas áreas da Ponte São João, Colônia, Vila Aparecida e imediações.

Cabe esclarecer que já vem sendo intensificado o policiamento naquela região há mais de um mês, inclusive nas madrugadas, onde no início do mês tivemos a prisão de dois indivíduos quando tentavam furtar objetos no interior do supermercado, quando a loja já se encontrava fechada. Salientamos que no dia 15 desse mês houve uma reunião com o policiamento comunitário e comunidade local, visando coibir as ações criminosas e ajudar a população”.

Polícia Civil

O delegado do 3º DP, Osvaldo Cândido, disse que o delegado Seccional prometeu a ele, quando o designou para o distrito, aumentar o efetivo de policiais. “É um compromisso dele comigo melhorar nossa estrutura para que possamos elucidar crimes. Concordo que a situação está complicada e nós vamos fazer nossa parte.”

Guarda Municipal está empenhada em apaziguar a Ponte São João e realizou esta semana a Operação Saturação, com prisões e apreensões de drogas


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