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Mulher denuncia marido depois de ser agredida por 20 anos em Jundiaí

Fábio Estevam | 27/01/2020 | 20:27

Depois de 20 anos sofrendo agressões, uma caseira de 45 anos decidiu denunciar o marido na Polícia Civil, um homem de 50 anos, depois de ele atingi-la com um objeto arremessado em sua cabeça na tarde desta segunda-feira (27) na chácara onde ambos trabalham, próximo à Serra do Japi, em Jundiaí.
Ensanguentada, ela ainda tentou ligar para a Polícia Militar. “O sangue escorria pelas minhas mãos e corpo e ele ficava rindo, dizendo que a polícia viria lhe dar um sermão, pedindo pra gente se entender”, comentou ela. E completa. “Eu falei da lei Maria da Penha, mas ele disse que não serviria para nada, que não funciona para ninguém”, completou.

Segundo a vítima, eles estavam trabalhando quando ele passou a ofendê-la com palavras de baixo calão, depois de ela pedir que ele parasse de quebrar as coisas dentro de casa e de agredí-la quando ingerisse álcool. “Ele vem fazendo isso durante toda a nossa vida juntos, me chamando de coisas que não sou. E me bate há 20 anos – o casal está junto há 22. Só que antes não era sempre que acontecia, mas já faz algum tempo que estou apanhando todos os dias”, contou ela, emocionada.

“Eu sempre falo para ele que precisamos parar de brigar, para com ofensas e acusações, para que possamos ser felizes. Mas ele não para com isso”, lamentou.

Ela desistiu de chamar a polícia e pegou o carro para ir na delegacia. Porém ao começar a passar mal por conta da quantidade de sangue que havia perdido em decorrência do ferimento na cabeça, ela então foi até o local de trabalho do filho, que era mais perto, para pedir ajuda. “Ele me levou ao DP e precisou voltar para o trabalho porque ele é novo lá e não poderia se ausentar por muito tempo. Como eu não teria dinheiro para voltar para casa, me deu R$ 10 e fiquei lá”, disse. “Depois que fiz o BO eles me orientaram a ir também até a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher)”, comentou.

A vítima acabou se enganando e acabou indo ao 1º DP, que fica na mesma avenida. Por conta dos ferimentos e sangue na roupa, além do visível medo, uma pessoa que estava na delegacia a levou até a delegacia especializada.

Antes do atendimento na DDM, porém, ela contou que temia pela vida. “Eu só revolvi ir à delegacia hoje porque pensei que ele fosse me matar. Estou com medo, mas não tenho para onde ir. Ele só me bate quando está bêbado, mas não é má pessoa”, disse.

De acordo com a delegada Renata Yumi Ono, um inquérito já foi instaurado. “Através desse inquérito vamos apurar os fatos. Nós também oferecemos a ela medidas protetivas, que ela pode requerer a qualquer momento, além de um abrigo sigiloso”, salientou Renata.

Neste abrigo, que é mantido pelo estado em um local sigiloso dentro da cidade, são acolhidas vítimas de violência doméstica que não têm para onde ir em caso de medidas protetivas. Caso a vítima em questão queira requerer a proteção, ela poderá ser abrigada neste local.


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