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Mulher é acusada de furto em loja no Centro e acredita ter sido vítima de racismo

Fábio Estevam | 28/02/2020 | 16:44

Uma mulher negra de 36 anos, que trabalha na Etec Jundiaí, acredita ter sido vítima de racismo ao ser acusada de furto por funcionários de uma loja de utilidades domésticas no Centro de Jundiaí. O caso aconteceu na tarde de quarta-feira (26) e foi registrado no 1º DP de Jundiaí na tarde desta sexta-feira (28). Albenizia Santos Rodrigues, que mora em Francisco Morato, contou ao Jornal de Jundiaí que foi abordada na rua pouco depois de sair da loja por dois seguranças que a acusaram de ter colocado mercadorias em sua sacola e saído sem pagar.

“Eu havia acabado de ganhar uma cesta (usada e até mesmo com ferrugem) de uma amiga no local onde eu trabalho. Depois fomos até essa loja no Centro, porque precisava comprar algumas coisas pra minha casa. Como tinha a cesta (que havia ganhado), um guarda chuva e uma sacola própria na mão, em que eu estava colocando as mercadorias que ia comprar nessa loja, pedi às funcionárias no fundo da loja uma sacola deles”, disse ela. “Ainda brinquei com elas, que precisava de uma sacola deles para não acharem que eu estava furtando. Elas riram, brincaram comigo e me deram a sacola. Passei o que havia pegado nas prateleiras para a sacola da loja na frente delas”, comentou.

Depois de andar por mais alguns minutos pela loja ela conta que foi até o caixa, pagou pelos produtos que comprou e saiu. “Quando eu estava na esquina e fui pegar meu celular para chamar um motorista de aplicativo, fui abordada pelos dois seguranças, que queriam ver o que tinha na minha sacola. Eu disse que não iria mostrar, que tudo o que eu tinha, estava pago”, falou ela. “Eles então me acusaram, dizendo que eu coloquei produtos na sacola e saí sem pagar”.

Ela então voltou até a loja para esclarecer a situação. Outros funcionários então saíram e reforçaram as acusações feitas pelos seguranças. “Eu disse que iria chamar a polícia, porque estava sendo acusada injustamente. Os seguranças debocharam de mim, dizendo que eu não chamaria. Nesse momento dois policiais militares andavam na mesma calçada e eles disseram: ‘você não disse que iria chamar a polícia? então, chama aí, vamos ver'”.

Os PMs foram chamados e, a pedido dela, conferiram todos os produtos da sacola com a nota fiscal. Não havia dada de errado. “Mesmo assim os seguranças continuaram me dizendo que eu havia furtado e os PMs pediram então imagens, que não foram mostradas. Eu estava muito nervosa e fui acalmada pelos policiais, que me orientaram a vir até a delegacia fazer o boletim de ocorrência”, comentou.

De acordo com ela, a sensação de ter sido vítima de racismo foi gritante. “Eu ainda questionei a todos eles, sobre se eu estava sendo abordada por ser negra ou pela roupa simples que eu estava vestindo. Senti que era por causa da minha cor, embora eu não possa acusá-los disso, pois não foram explícitos. Me senti injuriada, impotente”, falou ela, que ainda nesta tarde acionaria um advogado. “Vou processá-los, porque fui abordada no meio da rua. As pessoas paravam para me ver explicar que eu não havia furtado nada. Sequer me convidaram a fazer isso dentro da loja, proibiram minha entrada”, disse ela.


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