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Mulher é agredida e ainda tem seu cão atropelado e morto

Fábio Estevam | 08/04/2020 | 16:20

A Polícia Civil de Itupeva investiga um caso de agressão sofrida por uma mulher em Itupeva, que teria sido motivada porque um bar teria sido alvo da Guarda Municipal após ser denunciado por estar funcionando irregularmente durante o período de quarentena. A vítima, Ivone Piazzaroli Leite, de 50 anos, teria sido considerada pelo dono do bar como a denunciante que levou o os GMs até o local. Ele, que conversou com o JJ negou as acusações.

Como represália, o dono deste bar teria atropelado e matado uma cachorra vira-lata, que pertencia a Ivone, e que havia sido adotada há três anos. Os crimes ocorreram neste último final de semana.
De acordo com o filho da vítima, Gustavo Henrique Piazzaroli, de 17 anos, o dono do bar diz que o estabelecimento é uma padaria e com esta denominação poderia funcionar durante a quarentena, porém o local não vende pão, frios ou qualquer produto que remeta a este fim.

O movimento no local é muito grande, motivo pelo qual vários moradores do bairro estão ligando na Prefeitura para denunciá-lo. Como sua mãe tem conversado com a população sobre a necessidade de se cuidarem, os proprietários deduziram que ela é quem trouxe a Guarda Municipal para multá-los.

No sábado, de acordo com ele, a GM esteve no bar mais uma vez e, depois de algumas notificações, teria aplicado uma multa. “Foi aí o motivo da revolta deles. Eles passaram a chamar minha mãe de “coroavírus” e a fazer a ameaças. Uma pessoa ligada à família, inclusive, passou na porta da minha casa e falou para minha mãe cuidar bem de nossos cães. E disse em tom de ameaça”, diz Piazzaroli ao lembrar que os cães são adotados e foram recolhidos da rua.

COVARDIA
No último sábado Ivone encontrou sua cadelinha caída na calçada e entrou em desespero. Com a ajuda de uma amiga levou para o veterinário, com suspeita de envenenamento, o que não se confirmou. A causa da morte foi traumatismo craniano. No domingo uma vizinho foi até ela e teria dito que o cão não teria sido envenenado. O dono do bar estava contando para todo mundo que a atropelou. Revoltada e já sabendo da causa da morte, Ivone foi até os suspeitos e, aos gritos, desabafou.

CRUELDADE
Na segunda-feira, de acordo com Gustavo, a mãe deu por falta de uma gata e saiu para procurar. Próximo a uma plantação de uva havia duas mulheres, mais jovens, amigas do dono do bar, segurando a gata pelo pescoço. “É isso o que a senhora quer?”, teria perguntado uma delas, antes de soltar o animal e as duas partirem para cima de Ivone com socos, chutes, tapas e puxões de cabelo.

Elas se revezavam. Enquanto uma segurava a outra batia covardemente. Um amigo que passava próximo tentou apartar, mas foi impedido por um rapaz, parente do comerciante, que também deu um chute em Ivone. Não bastasse, a esposa do dono do bar também foi até o local e passou a agredir a vítima violentamente.

(A cachorrinha que morreu é que está no colo)

Quando foi liberada do espancamento Ivone foi até o computador e fez uma transmissão ao vivo contando sobre as agressões e aparecendo com o rosto todo ensanguentado, chamando a atenção da população local. Depois foi ao hospital e posteriormente na delegacia da cidade, que intimou os envolvidos. “As mulheres confessaram as agressões e disseram que foi porque minha mãe as provocou, mas a gente sabe que não foi isso”, contou.

MEDO

Gustavo conta que a família foi ameaçada de morte caso não se mude do bairro em uma semana. “Nós suspeitamos que eles tenham envolvimento com criminosos e por esse motivo estamos com medo”, disse ele.

Investigadores da delegacia da cidade já estão atuando no caso.

O OUTRO LADO

O Jornal de Jundiaí havia tentado, na tarde desta terça-feira, contato com o dono do bar para que ele desse sua versão dos fatos. Sem sucesso, a reportagem tomou os cuidados para que não fossem publicados na matéria que saiu jornal impresso desta quarta-feira (8), o nome dele, de seu estabelecimento, de nenhum dos envolvidos na agressão, bem como do endereço do local ou nome do bairro, assim como fotos.

De qualquer forma, ao conseguirmos contato com o dono do bar na tarde desta quarta-feira (8), ele autorizou a publicação das informações. Milton Gomes, proprietário da Padaria e Mercearia do Gomes, no bairro Medeiros, de Itupeva, negou todas as acusações imputadas a ele. Sobre o estabelecimento estar funcionando irregularmente, disse que se trata de uma padaria e que portanto está atuando de forma legal. Alegou, ainda, que não foi multado, como informado pela parte vítima na matéria “Eu continuo operando, porém respeitando a limitação de pessoas dentro do estabelecimento, sem causar aglomeração de pessoas”.

Sobre a suspeita de família de que tivesse tido ele o autor do atropelamento que causou a morte da cachorra da vítima, ele negou. “Eu fiquei sabendo que um cachorro que estava na rua havia sido atropelado, e só fui saber depois que era o cachorro dela. Mas não o atropelei”.

Sobre as agressões, disse que não têm ligação com seu estabelecimento. “”Ocorreu, sim, uma confusão entre ela e minha filha, mas não foi desse jeito que ela falou, segundo o que minha filha me contou. Mas como não se trata da questão envolvendo meu estabelecimento, não vou entrar em detalhes. Minha filha vai explicar tudo à polícia”.


Link original: https://www.jj.com.br/policia/mulher-e-agredida-e-ainda-tem-seu-cao-atropelado-e-morto/
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