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Mulher negra acredita que constrangimento sofrido na Caixa foi por causa de racismo

Fábio Estevam | 27/11/2019 | 21:02

Valéria de Paula Ignácio, de 48 anos, chamou a Polícia Militar na na tarde de ontem depois de passar por constrangimento ao tentar entrar na agência da Caixa Econômica Federal da rua Conrado Augusto Offa, em Jundiaí. Mesmo depois de se livrar de celular e itens de metal, ela foi impedida de entrar. Até mesmo com a presença da polícia militar, o segurança a impediu mais uma vez de acessar a agência. Ela foi questionada tanto pelo segurança quanto pelo gerente da unidade sobre o que faria na no local. Ela chegou a levantar parte do vestido (isso não foi requisitado a ela), para provar que não tinha nenhum outro item de metal ou arma. De raça negra, ela acredita que tenha sofrido um ato de racismo por parte do segurança e gerente.

“Não encontro outra explicação que não seja por ser uma mulher negra em uma agência bancária em um bairro nobre da cidade de Jundiaí”, disse ela.

O gerente, após ser chamado pelo segurança que não queria deixar ela entrar, chegou a liberar o acesso após a apresentação de um exame de raio-x, que mostrava que ela tinha próteses de titânio no quadril. “Mesmo após a chegada dos policiais e autorização do gerente, a minha entrada ainda foi barrada por duas vezes. Eu usava na ocasião apenas calçado, um vestido e roupas íntimas. Nem bolsa levei”, disse ela.

Com tudo o que estava acontecendo, Valéria, que é militante do movimento negro na cidade, acionou membros de entidades ligadas ao movimento. “E eles deveriam testemunhar isso. Nunca passei por isso nem em aeroportos”. Em poucos instantes vários amigos se encontraram na porta da agência com faixas e cartazes.

O advogado de Valéria também esteve presente e, juntos, estudam se vão processar a agência pelo ocorrido.

A reportagem entrou em contado com a assessoria de imprensa da Caixa, mas não obteve resposta.


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