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Mulher torturada entra para uma triste estatística em Várzea Paulista

Fábio Estevam | 09/05/2020 | 13:17

A mulher que foi vítima de tortura por parte do namorado por dois dias seguidos em Várzea Paulista, nesta semana, e que acabou libertada do cativeiro por homens da Guarda Municipal, está sendo assistida pela Patrulha Guardiã Maria da Penha, implantada na GM da cidade após parceria com o Ministério Público no dia 30 de agosto de 2017. Os GMs do programa foram designados pelo comandante da GM, Pedro Eli, para procurem pelo acusado de agressão.

A vítima, que estava bastante machucada e debilitada fisicamente quando libertada, contou que, ao sair para trabalhar, o namorado a trancou dentro de casa para continuar as sessões de tortura quando retornasse. Agora ela, que tem 42 anos, está protegida para caso ele retorne a procurá-la, tanto pela medida protetiva, quanto pelos GMs da Patrulha Guardiã.

Com a medida protetiva requerida, ela entra para uma triste estatística em Várzea Paulista. Em um pouco mais de dois anos a patrulha Maria da Penha já recebeu 56 casos de vítimas pedindo por proteção urgente. Dessas, 39 foram monitorados durante esse tempo, sendo que 10 ainda estão sendo assistidas. De acordo com o programa, o monitoramento só termina quando constatado que a vítima está livre do relacionamento abusivo em que ela estava.

Durante esse tempo a equipe da cidade já fez mais de 4 mil rondas, percorrendo um total de 18.267 quilômetros, e conta com três prisões em flagrante. “Também nesses dois anos menos de 15% das mulheres abriram mão do acompanhamento da equipe”, comemorou a GCMF 3° Classe, Grace.

Quando implantado, o projeto qualificou 18 guardas municipais para trabalhar diretamente em prol das vítimas, sendo que uma equipe especializada foi formada e conta atualmente com três guardas, sendo duas mulheres e um homem. Os demais GCMs estão divididos nos quatro turnos de trabalho operacional. “A equipe também busca aperfeiçoamento, participando de palestras e seminários, mantendo assim a excelência na execução do trabalho e atualização do conhecimento”, disse ela.

Além do acompanhamento feito junto às mulheres que possuem medida protetiva, a equipe também faz o trabalho de orientação e prevenção, explicando para a população a respeito dos diferentes tipos de violência doméstica, dos caminhos a serem tomados pelas vítimas. “Com toda atenção necessária diante de um problema que atinge não só as mulheres, mas a família toda”, comentou.

Para as mulheres varzinas que necessitarem de orientação ou socorro, o telefone da corporação é o 153, atendendo também pelo 0800 770 0811 ou 4596-7744.


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