Polícia

O que você faria se visse duas crianças vagando pela rua, assustadas e com fome?

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Crédito: Reprodução/Internet
Um caso ocorrido nesta semana no Centro de Jundiaí causou comoção não apenas nos internautas, mas principalmente em pessoas que presenciaram a cena triste. Uma mulher de 46 anos e bastante alcoolizada caminhava com os netos, uma menina de 7 anos e um menino de 10 (eles são de Itapevi-SP), quando foram abordados por guardas municipais do Centro Seguro. Sem se alimentar há várias horas, as crianças estavam com fome, o que levou, inclusive, a menina a desmaiar. Entre as pessoas que pararam para acompanhar a ocorrência e se sensibilizaram, duas mulheres em especial assumiram as crianças como seus filhos. De acordo com o GM Vila Nova, que atendeu a ocorrência com o parceiro Henrique, "essas duas mulheres, que estavam passando e viram a situação, compraram comida e água para as crianças. E as acompanharam inclusive no Hospital Universitário até o Conselho Tutelar levá-las para a Casa Transitória. E nós agradecemos muito pela atitude que tiveram", comentou o guarda. "Elas choraram muito na despedida, quando as crianças foram levadas". Uma dessas mulheres é Lizandra Góes da Silva, de 27 anos, casada e mãe da Lívia, de 4 anos e do Victor, de 8. Moradora em Várzea Paulista, ela conversou com a reportagem e contou sobre o ocorrido. "Eu estava sozinha quando passei e vi a situação. Fiquei morrendo de dó das crianças, pois estavam de chinelinhos, meio perdidas e assustados, com a avó bebendo e gritando. Fui fazer algumas coisas que precisava, mas as lojas estavam fechadas e, quando retornei, as encontrei na mesma situação. Muita gente passava e via a senhora gritando, completamente embriagada e as crianças assustadas, mas ninguém fazia nada", disse ela. "Inclusive tinha uns guardas parados lá, mas disseram que não podiam fazer nada, porque acho que não era a região deles. Eles me orientaram ligar para o 153". Depois de telefonar para a Guarda e lhe prometerem que uma equipe iria averiguar a situação, ela ofereceu ajuda à família. Mas a avó não sabia explicar de onde eram, para onde iriam, e nem o que faziam ali. "Conversei com as crianças, que me explicaram que a mãe havia sido agredida pelo padrasto e está grávida. Falaram que a mãe lhes disse que não poderiam ficar em casa, por conta da situação, e precisavam de outro local para morar. E que, por ora, ficariam com a avó. Pelo que entendi a avó pegou eles ainda de madrugada", contou. "Eles disseram que a avó deixou eles em um parquinho e foi em um bar beber. Depois entraram no trem e vieram parar em Jundiaí, onde, segundo elas, quase foram atropeladas por duas vezes".   [caption id="attachment_93588" align="aligncenter" width="950"] Lizandra não se limitou a apenas assistir a situação e procurou ajudar[/caption] O socorro Nesse momento, chegaram os guardas e uma outra mulher, Ana Cláudia Rodrigues da Silva, moradora no bairro São José, em Campo Limpo Paulista. Enquanto os agentes faziam a abordagem, Ana e Lizandra compravam comida e água para os pequenos. Pouco tempo depois a menina acabou desmaiando, sendo socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Universitário (HU). "Nós começamos a chorar, porque também temos filhos e queríamos saber o que ia acontecer com as crianças. Assim insistimos em ir ao hospital. Lá, fomos informadas que não poderíamos acompanhá-las, já que não éramos parentes". Depois de insistirem, conseguiram ter acesso às crianças. "Eles foram examinados, medicados e pedimos para trazerem comida para eles. Ficamos lá acompanhando, demos comida e conversamos muito com elas, que nos contaram histórias tristes. Elas estavam abatidas, desnutridas e bem sofridas. Vivem em condições desumanas", lamentou. Mãezonas A menina disse que queria tomar banho e lavar o cabelo, mas no quarto só havia um chuveirinho e uma banheira. "Enchi a banheira de bebê e ajudamos a menina a tomar banho. Enquanto isso perguntei se ela falava com Deus, se orava, e ela disse que sim, e que naquele dia ela ia pedir pra Deus pra poder ir pra minha casa", contou. "Fiquei muito abalada, tentei não chorar na frente dela, saí do banheiro e desabei. Quero tentar achar o contato da mãe dessas crianças e arrecadar roupas, sapatos e alimentos para ajudá-los. Infelizmente não tenho condições, mas se pudesse eu adotava os dois. Talvez eu seja a pessoa mais errante e pecadora, mas o que eu puder fazer pra ajudar o meu próximo eu vou fazer", finalizou. A reportagem tentou contato com Ana, a outra 'mãezona', porém sem sucesso. Ela e Lizandra tentam, agora, contato com a família das crianças para oferecerem ajuda e acompanhar o desenvolvimento delas. [caption id="attachment_93589" align="aligncenter" width="722"] Com os filhos, Victor e Lívia: "eu sou mãe, e precisava saber o que iria acontecer com aquelas crianças"[/caption]  

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