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Obra que matou operário era “clandestina”, diz Prefeitura

Fábio Estevam | 24/09/2019 | 20:40

Um desmoronamento de terra hoje de manhã (24) no bairro Horto Santo Antônio (atrás do Cemitério Parque dos Ipês), em Jundiaí, matou uma pessoa e deixou outra ferida. Quatro funcionários de uma empreiteira de Cabreúva trabalhavam no local para a construção de um muro de arrimo. a Defesa Civil e o Cerest (Centro de Referência e Saúde do Trabalhador)interditaram a obra e deram orientações ao proprietário do terreno, que esteve no local e ficou em estado de choque, sendo atendido pelos socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência).
A obra, segundo a Prefeitura, estava irregular. A Polícia Civil do 5º DP, no Bairro Eloy Chaves, vai investigar o caso.

O Corpo de Bombeiros foi chamado por volta de 9 horas para atender a ocorrência.
No local dois dos trabalhadores que estavam na obra já haviam conseguido salvar um dos colegas soterrados, João Bosco da Silva, de 68 anos. Ele chegou a ser coberto até a altura do pescoço e os amigos cavaram para retirá-lo.

Eles também conseguiram localizar onde exatamente estava o amigo, José Roberto Cândido, de 61 anos, dono da empreiteira. No entanto, quando o encontraram, ele já estava morto.

Os Bombeiros iniciaram então os trabalhos para remoção do corpo, que durou pelo menos duas horas.
Segundo Alan Vendramim, irmão do proprietário do terreno (Ivan Luiz Vendramim), funcionários de outra empresa estiveram ontem (23) no local com uma retroescavadeira e fizeram a remoção de terra da área que será a parte de trás da residência em construção – que faz fundo com um barranco onde, no alto, passa um muro do Cemitério Parque dos Ipês.

Hoje os trabalhadores da empreiteira “estiveram na obra para fazer alicerce e concretagem e, então, darem início à construção do muro de arrimo”, disse ele.

Ainda de acordo com Alan, a obra estava regularizada. “Já foi feito serviço de topografia e terraplanagem e está com projeto de construção protocolado na Prefeitura, inclusive com arquiteta responsável.”

A Prefeitura de Jundiaí, contudo, por meio do Departamento de Licenciamento de Obras Instalações da Unidade de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (UGPUMA), informou que “não foi localizado nenhum processo protocolado solicitando a autorização para a obra, sendo a mesma, portanto, considerada clandestina”.

O departamento vai notificar os proprietários do imóvel. Fiscais do departamento também estiveram no local hoje, e não localizaram os responsáveis pela área.

A interdição será mantida até que seja restabelecida a situação de normalidade e legalidade da obra.
Somente após o encaminhamento de laudo de engenheiro responsável sobre o empreendimento, dando conta da segurança para a atividade, o Cerest retirará a interdição.

“A Defesa Civil acrescenta que, por questões de segurança, também efetuou a interdição parcial da edícula da residência vizinha e de duas áreas do cemitério Parque dos Ipês: o local onde houve o desabamento – porque as pilastras estão expostas; e parte da garagem em que ficam máquinas e veículos, para evitar sobrepeso.

ENTERRO
José Roberto Cândido será sepultado amanhã, às 10 horas, no Cemitério Parque dos Ipês.


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