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Pegos em flagrante furtando comércio, prisão de casal dura pouco

GERALDO DIAS NETTO | 18/06/2018 | 21:35

Onda de furto a estabelecimentos na Vila Progresso, em Jundiaí, tem tirado o sono de comerciantes. Ontem, muitos deles se mostraram ainda mais perplexos com a liberação de um casal, em audiência de custódia, após prisão, horas antes, pelo arrombamento de uma padaria na avenida Samuel Martins. Proprietário do imóvel invadido, um rapaz de 27 anos afirmou que os constantes furtos vêm revoltando os comerciantes do bairro, que não sabem mais o que fazer. Ele contou que sua padaria já havia sido invadida cerca de 15 dias atrás e soube sobre a soltura do casal antes mesmo que pudesse consertar a porta arrombada. “É algo realmente indignante. Uma verdadeira afronta a nós que trabalhamos todos os dias”, lamentou. Segundo ele, em aproximadamente um mês, foram alvos de ladrões no bairro uma academia, uma pizzaria, um restaurante e uma loja de pneus, sempre por meio de arrombamentos.

Já a padaria foi invadida no começo da madrugada. Uma das portas foi danificada com uma chave de fenda, possibilitando o acesso do casal ao interior. Dali, os ladrões recolheram três litros de vinho, uma garrafa de uísque e vários doces, além de R$ 1.043 em dinheiro. Quando deixavam o local, os invasores foram surpreendidos com a chegada de policiais militares do 49º Batalhão acionados pelo proprietário, que percebeu a ação após o sistema de segurança ser acionado. Rodrigo da Silva Farias, de 29 anos, carregava uma mochila com os produtos furtados e parte do dinheiro. Já Luana Cavallari da Silva, 21, foi encontrada com R$ 400 da padaria. Morador em Campo Limpo Paulista, Farias também estava em poder da chave de fenda usada para arrombar a porta do comércio. Ele e Luana receberam voz de prisão e foram levados ao Plantão Policial para serem autuados em flagrante por furto qualificado consumado. O crime é inafiançável, o que fez com que ambos, que já registravam passagens policiais, fossem recolhidos em unidades prisionais, mas por pouquíssimo tempo.

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Audiência de custódia
Na manhã de ontem, poucas horas após prisão, o casal que invadiu a padaria foi levado para audiência de custódia. Por determinação judicial, ambos foram soltos para responder ao processo em liberdade e devem ser citados posteriormente para se defenderem. Luana, segundo a polícia, não tem residência fixa. Procedimento realizado pelo Poder Judiciário, a audiência de custódia teve início em Jundiaí em agosto de 2016 e resultou de um projeto lançado no ano anterior pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Ministério da Justiça e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

De acordo com o CNJ, a audiência ocorre em até 24 horas da prisão em flagrante e tem como objetivo analisar a detenção “sob o aspecto da legalidade, da necessidade e da adequação da continuidade da prisão ou da eventual concessão de liberdade, com ou sem a imposição de outras medidas cautelares”. “O juiz poderá avaliar também eventuais ocorrências de tortura ou de maus-tratos, entre outras irregularidades.” Trata-se de um direito do preso, que pode ser colocado nas ruas mesmo que não se verifique irregularidade na detenção, sendo um dos objetivos do projeto o de evitar a superlotação em presídios. A medida, no entanto, tem causado indignação em policiais e vítimas dos crimes, uma vez que diversos presos voltaram a cometer delitos assim que foram liberados em tais audiências.

Parabenizou
O proprietário da padaria agradeceu a PM pela prisão dos acusados, mas lamentou o relaxamento do flagrante. “Preciso de fato parabenizar a Polícia Militar, porque ela chegou muito rápido e não deu margem para uma fuga. Os policiais também foram muito atenciosos. Percebe-se que a Polícia Militar está fazendo a parte dela.”


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