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Polícia Civil faz reconstituição de morte de irmãos comerciantes em bar de Jundiaí

GERALDO DIAS NETTO | 12/07/2018 | 21:56

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí realizou na manhã desta quinta-feira (12) reconstituição da morte dos irmãos Rodrigo Ladeira Scrico, de 43 anos, e Ricardo Antonio Ladeira, 46, baleados no dia 10 de junho passado em um bar no Jardim Corrupira, cujo proprietário confessou o crime e está preso. Os trabalhos duraram aproximadamente três horas e foram supervisionados pelo delegado titular da DIG, Luís Carlos Duarte, explicou o investigador-chefe da especializada, Almir de Oliveira. Dono do bar, Ayrton Macena dos Santos, 44, deu sua versão sobre o ocorrido, mostrando como teria disparado contra os dois irmãos, que também eram comerciantes. Simulando os tiros, mostrou a suposta dinâmica do evento, confrontado com os indícios já obtidos por policiais da equipe Apolo 3 (Gigio, Júlio e Samuel) sobre as mortes.
Os parentes foram baleados com disparos na cabeça e morreram ainda no local, conhecido como “Bar do Palitó”, na avenida Nicola Acieri.

Marcas de luta foram achadas por todo o estabelecimento, cujo dono não foi encontrado após o crime. Ao se apresentar, Macena alegou que a arma usada para matar os irmãos – ainda não foi encontrada – pertencia a um deles e foi retirada das mãos daquele com o qual brigava para se defender. Ao dizer que nunca teve uma arma, contradisse a versão do próprio filho, que contou que o pai guardava um revólver dentro do bar. Segundo ele, o confronto com os irmãos foi presenciado por uma mulher que costuma ir ao bairro visitar conhecidos e tomar algumas cervejas no bar, além de outras duas pessoas que jogavam baralho com as vítimas antes da discussão. Sobre tais pessoas, disse apenas que a mulher se chama Maria, e que desconhece as outras duas. Contou ainda que, após os disparos, deu carona à mulher até um terminal, desconhecendo o endereço dela. Mas se comprometeu a passar informações sobre as testemunhas caso conseguisse.

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Interrogatório
Garantindo que os disparos foram acidentais, o dono do bar não conseguiu explicar como conseguiu atingir um dos irmãos a cerca de 20 metros de distância, na cabeça e na perna, quando este chegava em seu carro, uma picape que ficou com marcas de sangue em seu interior. Relatou que trabalhava normalmente naquele domingo, enquanto os irmãos jogavam baralho com os outros dois clientes. Em determinado momento, contou que jogou uma partida de bilhar com um senhor que não conhecia e perdeu R$ 250. Afirmou que o homem foi embora em seguida e achou estranho ter perdido daquele jeito ao desconhecido, saindo até a frente do bar para ligar a um amigo e perguntar sobre quem seria aquele senhor, que dirigia um Gol de cor cinza. “Afirmou que foi informado pelo amigo que tal pessoa era um ‘rato’, ou seja, um jogador profissional e ladrão no jogo, orientando que não jogasse com ele”, informou um dos policiais da Apolo 3.

Prosseguindo no depoimento, disse que a conversa que teve com o amigo ao telefone foi ouvida pelos irmãos comerciantes, tendo um deles, Ricardo, se levantado para confrontar o dono do bar, já que acreditava que o acusado falava de seu irmão Rodrigo ao telefone. Garantiu ter dito a Ricardo que a pessoa da conversa não se tratava de seu irmão, o que não teria adiantado, já que começou a ser ofendido. Disse que as pessoas que jogavam baralho com os irmãos tentaram “apaziguar a situação”, mas foram embora assim que perceberam que não conseguiriam. Em seguida, continuou Ayrton, Ricardo deu um tapa em sua mão, derrubando o aparelho celular. Sacou então uma arma e deu uma coronhada na cabeça do depoente, que se defendeu e entrou em luta corporal com o suposto agressor. Foi, então, agredido pelo irmão dele, que o atacou com uma vassoura ou rodo, momento em que a arma disparou.

Disse que não viu se o tiro atingiu alguém, e que conseguiu tomar a arma neste momento, atirando em direção ao carro de Rodrigo quando este correu em direção ao automóvel. Afirmou, então, que a arma “travou” e Ricardo a pegou novamente, ocorrendo nova luta corporal e outro disparo enquanto este último tentava “arrumar a arma”. Ainda durante o embate, disse que um quarto disparo foi dado, atingindo Ricardo, que caiu abraçado com o declarante. Neste momento, pegou a arma e fugiu em seu carro, dizendo ainda que Rodrigo chegou a dizer que “acabaria” com ele.

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