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Polícia esclarece assassinato de mulher queimada no porta-malas do carro

GERALDO DIAS NETTO | 29/08/2018 | 21:09

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí esclareceu a autoria da morte da vendedora Maria Cristina Franco Schimidt, de 39 anos, encontrada no porta-malas do carro que usava para trabalhar, pertencente a uma tabacaria, no dia 11 de julho deste ano, na Estrada do Silva, em Morungaba. O veículo foi incendiado com a mulher dentro. O crime chocou moradores da Região, incluindo de Bragança Paulista, onde Maria Cristina morava, e mobilizou a Polícia Civil, que empregou uma equipe especializada da DIG, a Apolo 2, em razão da complexidade do caso.

Um comerciante foi preso pelo crime. Identificado como Wilson de Jesus Neves Junior, de 41 anos, ele teve a prisão requerida ao Poder Judiciário, que concedeu o mandado, permitindo aos policiais que cumprissem a ordem legal e colocassem o acusado atrás das grades até o julgamento do processo. Segundo os policiais da Apolo 2 (Ricardo, Rodrigo e Eduardo), a elucidação do caso, com a consequente detenção do acusado, foi uma resposta à família de Maria Cristina, além de se levar a julgamento o autor de um crime bárbaro. Junior, segundo os investigadores, irá responder por homicídio triplamente qualificado.

Apuração
Maria Cristina guiava o veículo da empresa, que era monitorado, quando desapareceu. Foi possível apurar seu último paradeiro a partir de uma nota fiscal que ela emitiu naquele mesmo dia, por volta das 15h15. Pelo trajeto que o veículo fez, entregue em relatório pela empresa à DIG, a Apolo 2 resolveu percorrer o mesmo caminho, encontrando em diversos pontos câmeras que poderiam auxiliar na investigação.

De fato, algumas delas mostraram a passagem do Uno acompanhando uma picape Peugeot, modelo Hoggar, de cor prata, dentro da qual a vítima já estaria, sendo mantida como refém, indicando que um segundo criminoso teria participado da morte.
Também pelas imagens, os investigadores conseguiram identificar as placas da picape, descobrindo que veículo semelhante estava registrado no Sul do país.

Com a possibilidade de o carro usado no assassinato se tratar de um “dublê”, a Apolo 2 conseguiu inserir a numeração em um sistema operado por municípios da Região, que lê caracteres em pontos de grande tráfego, solicitando que a DIG fosse contatada assim que o automóvel voltasse a ser monitorado.

Abordagem
Com a informação esperada pelos policiais, um cerco foi feito para prender o condutor da picape. Ele foi abordado e levado à sede da DIG, no bairro do Anhangabaú, onde deu depoimento sobre seu suposto envolvimento com a morte da vendedora. Em conversas com os investigadores, o homem negou ter praticado o assassinato, dizendo ter adquirido o carro, em meados de julho, em uma “feira do rolo” de Campinas, por R$ 4,5 mil.

Deu ainda um detalhe que chamou a atenção dos policiais. Segundo o depoente, o homem que lhe havia vendido a picape estava acompanhado de um outro que apresentava ferimentos nas mãos e no rosto provocados por queimadura. Ele também informou quem seriam tais pessoas, identificando-os como “Português” e “Lukinha”.

Fechando o cerco
Conforme explicaram os policiais da Apolo 2, mais diligências precisaram ser feitas para identificar os dois homens, descobrindo-se que Wilson de Jesus Neves Junior era o “Português” informado pela testemunha. Com os indícios de autoria obtidos, um pedido de prisão foi feito pelo delegado Carlos Eduardo Barbosa Soares, assistente da DIG, sendo o mandado concedido pelo Poder Judiciário. Ao ser encontrado, informou a Apolo 2, Junior estava em companhia de “Lukinha”, que também foi detido e levado para prestar depoimento.

Motivação
Apesar de “Português” negar a participação no crime, os policiais apuraram que ele e vendedora tiveram uma discussão em razão de dívidas feitas pelo acusado por conta da compra de cigarros. Eles explicaram que o comerciante costumava vender cigarros contrabandeados do Paraguai e resolveu adquirir da tabacaria para quem Maria Cristina trabalhava. Por conta das dívidas que começou a ter, resolveu matar a mulher de maneira extremamente cruel.

“Lukinha”, informaram os policiais, teria ajudado a colocar fogo no carro, razão pela qual sofreu as queimaduras nas mãos e no rosto. Eles, contudo, aguardam ainda a conclusão de uma diligência para indicar no inquérito policial toda a dinâmica da participação do comparsa no brutal assassinato.

Foto: divulgação

Foto: divulgação


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