Polícia

Policiais são investigados por extorquir dinheiro de filho de traficante

Quatro policiais de Guarulhos, na Grande São Paulo estão sendo investigados pela Corregedoria da Polícia Civil, acusados de extorquir Gabriel Donadon, 24 anos, filho de Anderson Lacerda Pereira, um dos maiores narcotraficantes do país, ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A suspeita é de envolvimento com a máfia italiana Ndrangheta e procura pela Interpol. Gabriel Donadon foi à Corregedoria em 16 de fevereiro deste ano denunciar que teve de pagar R$ 400 mil em espécie e dar uma Land Rover aos investigadores após ser detido por eles uma semana antes em Mogi das Cruzes, Grande São Paulo. Os policiais, a princípio, queriam R$ 5 milhões e teriam alegado que a quantia exigida seria por causa de "pendência de valores" do pai dele. Foragido da Justiça, Pereira responde a inquérito no 4º Distrito Policial de Guarulhos por lavagem de dinheiro. Ele é acusado de ter montado, com dinheiro do tráfico de drogas, 38 clínicas médicas e odontológicas e uma empresa de limpeza na Grande São Paulo, além de ter adquirido 15 casas em um condomínio de luxo em Arujá, também na região metropolitana. O delegado Evandro Lopes Salgado, da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria, investiga a denúncia, mas não quis se manifestar sobre o caso. Os policiais são suspeitos de praticar concussão (quando um servidor público exige para si ou outra pessoa, direta ou indiretamente, vantagem indevida). A pena para esse crime varia de dois anos a 12 anos de prisão. As versões sobre a detenção de Gabriel Donadon são divergentes. Ele alega que foi detido em Mogi das Cruzes por três investigadores e levado para o 4º DP de Guarulhos em um carro da Polícia Civil. Segundo ele, um dos policiais dirigiu a Land Rover até a sede do distrito. Gabriel acrescentou que na delegacia, um dos investigadores pegou um telefone celular e ligou para um policial do 1º DP de Guarulhos. Esse policial, na versão do filho do narcotraficante, conversou com ele e exigiu os R$ 5 milhões, dizendo que tratava-se da "pendência de valores" de Anderson Pereira. Gabriel ainda contou que esse policial do 1º DP de Guarulhos o conhece porque é vizinho dele em um condomínio no Arujá. Os investigadores têm outra versão sobre os fatos. Alegam que investigavam Anderson Pereira e apuraram que ele estaria em Mogi das Cruzes, em 9 de fevereiro deste ano, a bordo da Land Rover branca, placas OVZ-0123. Eles sustentam que fizeram diligências em Mogi, mas no local indicado encontraram Gabriel Donadon, o filho do narcotraficante. Ao menos 11 foram presas, incluindo dentistas, um médico, um ex-secretário municipal de Arujá, além da ex-mulher e da mãe de Anderson Pereira. Todos alegam que são inocentes, não integram organização criminosa e jamais fizeram lavagem de dinheiro. Na sexta-feira (3), a Justiça prorrogou a prisão temporária por mais 30 dias para a grande maioria dos acusados. Anderson Pereira e o filho Gabriel estão, até o momento, foragidos.  

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