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“Por favor, contem onde está meu filho”, diz mãe de Cadu

Fábio Estevam | 19/01/2020 | 10:47

Enquanto as investigações sobre o desaparecimento de Carlos Eduardo dos Santos, o Cadu, de 20 anos, não avançam – sobretudo por conta da falta de testemunhas -, a mãe do rapaz não se cabe em angústia. “Não importa o horário, se é manhã, tarde, noite ou madrugada. Eu sempre estou com o celular do lado para caso alguém me ligue, seja a polícia ou alguém querendo dar informações sobre o paradeiro do meu filho”, disse Carla Fernanda dos Santos Silva, de 38 anos. Apesar de saber que existem chances de o filho ter sido morto, ela conta que o coração de mãe diz o contrário, e que vai se apegar à esperança até que tudo esteja esclarecido.

“Eu vejo muita gente nas redes sociais nos apoiando e torcendo por nós e para que meu filho esteja vivo. Mas também vejo algumas pessoas criticando e julgando. Eu sou mãe, estou sofrendo. E independente do que ele tenha feito no passado, se ele estiver morto, tenho o direito de enterrá-lo. Sou a mãe dele”, disse ela, sobre as críticas pelo filho ter passagens criminais por tráfico de drogas e furto. “Não julguem, não façam isso. Meu filho vinha procurando emprego e enquanto não conseguia, fazia bicos de pintor residencial com um amigo”, comentou.

Apesar de não haver provas de que policiais militares tenham realmente desaparecido com Cadu, ela manda um recado diretamente aos envolvidos. “Mais de 10 pessoas, moradores do São Camilo e que estavam no bar ou próximos do local naquele dia, nos contaram como tudo aconteceu. Acredito, sim, que os policiais levaram meu filho. E para eles ou quem quer que seja, peço que digam onde ele está, morto ou aprisionado, não me importa. Mas falem”, disse ela.

A respeito das suspeitas em torno dos PMs e de seu pedido especial pra uma confissão, ela comentou. “Se foi os PMs eles não vão confessar, não acredito nisso. Então espero que as investigações consigam solucionar tudo e acabar com o nosso sofrimento”, falou ela, que é doméstica mas não tem aceitado os poucos trabalhos que lhe foram ofertados recentemente. “Não tenho cabeça para isso. Se eu estiver trabalhando em um lugar e receber uma ligação com informações sobre o paradeiro dele, vou querer deixar o local imediatamente para ir procurar. É angustiante”, conta Carla que ainda tem três filhos, todos crianças.

O CASO
Segundo testemunhas que conversaram com a família e a imprensa – mas que não formalizaram depoimento à polícia -, Cadu estava com outros três amigos em um bar no Jardim São Camilo na tarde do dia 27 de dezembro, quando uma viatura de Força Tática parou e os PMs pediram que os quatro saíssem do estabelecimento. Apenas Cadu era negro e foi obrigado a sentar sobre as mãos na calçada, enquanto que os demais foram revistados e logo liberados. Ainda segundo as testemunhas informais, Cadu foi colocado na viatura e não foi mais visto.

O pai, Eduardo Aparecido do Nascimento, soube por amigos sobre a “prisão” de Cadu e foi até o Plantão Policial para verificar. Na ocasião soube que nenhuma ocorrência do tipo havia sido apresentada. Orientado, ele foi até o 49º Batalhão, no bairro Caxambu, verificar se o filho havia sido levado para lá. “Mas me informaram que não havia nenhum registro de abordagem no São Camilo naquele horário. Voltei para casa e comecei a ligar para amigos e parentes, tentando achar meu filho. No dia seguinte, acabei fazendo o Boletim de Ocorrência”, contou o pai.

Desde então muitas denúncias falsas foram feitas tanto à família quanto para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que tem averiguado. Nenhuma delas, porém, foi confirmada. A Corregedoria da PM entrou no caso e chegou a enviar viaturas do Choque e cães farejadores para averiguações em áreas de mata, tanto em Jundiaí, quando em Jarinu (local de suspeitas), mas também não encontraram Cadu. Os PMs suspeitos, um sargento e dois soldados, foram afastados do serviço de rua e trabalham administrativamente. Eles, inclusive, segundo a corporação, negam as acusações.

O delegado-titular da DIG, Josias Guimarães, que estava aguardando mais elementos através de depoimentos para que pudesse confrontar os PMs suspeitos, revelou quinta-feira (16) ao JJ que vai intimá-los para serem ouvidos nesta semana.

 


Fábio Estevam
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