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Vítima de feminicídio em Itupeva retirou queixa anterior contra agressor

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 07/01/2019 | 19:20

“Edvaldo, eu não fiz nada!”, foi um dos gritos ouvidos por vizinhos e testemunhas do brutal assassinato de Elizângela Pereira de Almeida, 34 anos, na noite deste sábado (5). A polícia foi chamada mas, quando chegou no local do crime, era tarde demais: ela já havia levado 23 facadas e o mais provável autor do crime – seu companheiro Edvaldo da Silva, 40 anos – já estava longe.

A vítima foi levada ao Hospital Municipal de Itupeva, onde chegou sem vida. Segundo o Boletim de Ocorrência, os médicos afirmaram que ela foi ferida em diversos lugares do corpo e algumas víceras estavam expostas. O crime teria ocorrido por volta das 19h na rua José Perez, no Jardim Santa Helena, onde residia o investigado e sua família.

A Polícia Civil de Itupeva interrogou os familiares de Edvaldo e da vítima em busca de mais informações. Os relatos apontam que o casal – que possui quatro filhos juntos – estava separado no momento da briga que levou à morte de Elizângela, mas que eles tinham um relacionamento instável. A vítima com frequência voltava para a casa dos familiares por alguns dias, mas depois voltava a se relacionar com o companheiro. A família, como era de se esperar, não apoiava a relação.

HISTÓRICO
As autoridades ainda revelam que Elizângela registrou dois boletins de ocorrência contra Edvaldo no passado. O primeiro dizia que ela havia sido ameaçada pelo companheiro. Na ocasião, uma medida protetiva foi concedida pela Justiça e um inquérito policial fora instaurado. O segundo BO, registrado no dia 24 de abril, acusava o investigado de ter ateado fogo no apartamento da vítima dois dias antes.

No dia 3 de maio, os dois voltaram à delegacia juntos. Elizângela pediu a retirada da medida protetiva e se disse arrependida, pois tinha feito a acusação num momento de raiva. Edvaldo, por sua vez, negou ter agredido ou ameaçado a companheira e afirmou desconhecer qualquer coisa sobre um incêndio no apartamento dela.

No dia, a Polícia informou ao casal que não seria possível arquivar o inquérito contra Edvaldo. “A Lei Maria da Penha não permite isso. Quem tem esse poder é a Justiça, que deve ter arquivado o caso quando ela não quis dar continuidade”, conta o delegado Adalberto Ceolin, em entrevista exclusiva ao Jornal de Jundiaí. Ele diz, ainda, que o suspeito já possuía um perfil violento. “Além desses outros boletins de ocorrência registrados pela vítima, ele tem passagens pela polícia por receptação e outros casos”, conta.

A Polícia Civil de Itupeva colocou quase toda sua força policial em busca do foragido, que é natural de Indaiatuba. Adalberto diz que a população da cidade e da Região se dispôs a ajudar no caso. Quem tiver informações sobre o paradeiro de Edvaldo pode entrar em contato com os telefones 190 (Policia Militar) ou 181 (Polícia Civil).

FRAGILIDADE EMOCIONAL
Em julho de 2018, o JJ publicou reportagem sobre o aumento de medidas protetivas cedidas pela Justiça na Região. Na ocasião, o coordenador da Defensoria Pública do estado de São Paulo em Jundiaí, Fábio Sorge, comentou sobre a eficácia da ação, que muitas vezes é descumprida pela própria mulher, como neste caso. “A violência doméstica tem múltiplas facetas. Já se sabe que existe um ciclo que envolve amarras psicológicas, emocionais e financeiras”, afirmou.

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