Política

Mourão e Bolsonaro não se entendem sobre vacina chinesa

Pandemia Enquanto o vice disse que o governo compraria as doses da Coronavac, o presidente afirmou que a decisão é dele


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Bolsonaro e Mourão têm dado declarações contrárias em relação á compra da vacina chinesa para a covid-19
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O presidente Jair Bolsonaro reagiu na tarde desta sexta-feira (30) à declaração do vice-presidente Hamilton Mourão sobre a compra da Coronavac, a vacina contra a covid-19 produzida pela China em parceria com o Instituto Butantan. "A caneta Bic é minha", afirmou Bolsonaro.

Mais cedo, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse em entrevista que o governo federal vai comprar a vacina do laboratório chinês Sinovac, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo.

"Lógico que vai", afirmou Mourão, contrariando o que o presidente Jair Bolsonaro tem dito sobre o tema. Na entrevista, o vice reduziu a polêmica sobre a "vacina chinesa" a uma briga política entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

"Essa questão da vacina é briga política com o Doria. O governo vai comprar a vacina, lógico que vai. Já colocamos os recursos no Butantan para produzir essa vacina. O governo não vai fugir disso aí", disse. Mourão também foi questionado se teria algum receio em tomar alguma vacina que venha da China. "Não, desde que esteja certificada pela Anvisa. Não tem problema nenhum", disse.

As vacinas relacionadas à covid-19 seguem em fase de estudos e, por isso, nenhuma delas tem aprovação para uso na população geral até agora. Na quarta (28), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação de matéria-prima para que o Instituto Butantan produza 40 milhões de doses da CoronaVac. Na semana passada, a Anvisa já tinha liberado a importação de 6 milhões de doses da CoronaVac, que já virão envasadas e prontas para o uso. A aplicação, no entanto, só será autorizada depois que os estudos forem concluídos, e se as conclusões forem positivas.

Na última semana, Bolsonaro desautorizou um acordo entre o Butantan, que é vinculado ao Governo de São Paulo, e o Ministério da Saúde que garantiria a compra de 46 milhões de doses da Coronavac menos de 24 horas depois de o documento ter sido assinado. Desde então, o presidente tem dito que a sua gestão não vai colocar dinheiro em uma vacina que ainda não tem comprovação científica e alertado Doria para "procurar outro" que pague pelo imunizante.

No último dia 21, Bolsonaro publicou em rede social: "Não compraremos a vacina da China". No mesmo dia, disse que o governo estava em busca de uma "vacina confiável", e que o resto era "jogo político". Horas antes, o Ministério da Saúde havia anunciado a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac.

O presidente e o governador paulista também estão em atrito por conta da aplicação da vacina. Enquanto Bolsonaro defende que os brasileiros não devem ser obrigados a se imunizarem, Doria é a favor de que a futura resposta contra o novo coronavírus seja aplicada de forma compulsória. No início da tarde desta sexta, por exemplo, Bolsonaro comentou com apoiadores que Doria está se transformando em um "autoritário" por conta da sua postura.


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