Política

Jovens eleitores terão grande importância nas eleições 2020

contagem regressiva A duas semanas do pleito e com a pandemia ainda impondo diversas restrições, a internet tem sido a principal fonte de informação


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Victor Martin é um dos que votarão pela primeira vez nas eleições 2020
Crédito: divulgação

As eleições municipais de 2020 estão se aproximando e muitos jovens entre 16 e 17 anos ainda enfrentam dúvidas se vão ou não às urnas. Outros, porém, já avaliam qual representante escolherão. Com a pandemia, boa parte das campanhas teve de ser realizada de maneira on-line, o que consequentemente atingiu mais esse público, que tem maior contato com a tecnologia.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), o Brasil tem 47,3 milhões de jovens, de 15 a 29 anos. Desse total, 1.030.563 são jovens de 16 ou 17 anos, o equivalente a 0,7% do eleitorado. Em Jundiaí, 314.875 eleitores estão aptos a votar. Destes, 26.865 têm entre 16 e 24 anos, que equivalem a 8,5% do total, segundo números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Angelo Palladino tem 21 anos e vai votar pela primeira vez daqui duas semanas. Ele diz que a internet é sua principal fonte de informação sobre os candidatos. "Procuro ler alguns artigos que meus amigos e familiares compartilham, mas não tenho procurado por nenhum candidato específico ainda. Acredito que hoje em dia a internet seja o melhor meio de se conhecer os candidatos e, para mim, o mais importante é que ele seja inteligente, honesto e tenha propostas interessantes", comenta.

Aos 18 anos, Victor Martin também entrará pela primeira vez em uma cabine de votação no próximo dia 15. "Procuro me informar pelas redes sociais dos próprios candidatos e considero importante não haver indícios de corrupção. A internet é o principal meio de propaganda, mas os 'santinhos' também têm sua importância para divulgar os candidatos", relata.

O professor de ciência política da Unianchieta, Walter Celeste, aponta que a relação do voto com as tecnologias é um tema central nas democracias contemporâneas. O que está envolvido nestes casos, segundo ele, é a formação da consciência e do esclarecimento para o eleitor.

"A internet traz facilidades na informação e no processo educacional. De início, isso provocou uma imagem muito positiva da internet, mas o cenário mudou. Hoje, existem diversas fontes que não se podem confiar, mas nem todos conseguem ter esse filtro e ter cuidado com as fontes que consultam", comenta.

Ele lembra que um fenômeno comum nas redes é o fato de que as pessoas procuram apenas as informações que corroboram com o pensamento delas e perdeu-se um pouco o acesso aos fatos em si. "Os jovens, que já nasceram nesta geração, e os idosos, por terem mais dificuldade, caem mais fácil neste erro. E em um processo eleitoral isso pode ser danoso. O acesso à informação hoje é viciado e cheio de armadilhas, o que dá espaço para candidatos despreparados, 'picaretas' e até mentirosos", alerta.

Uma pesquisa de opinião do Instituto DataSenado aponta a influência crescente das redes sociais como fonte de informação para o eleitor, o que pode em parte explicar as escolhas dos cidadãos nas eleições de 2020. Quase metade dos entrevistados (45%) afirmou ter decidido o voto levando em consideração informações vistas em alguma rede social. E a principal fonte de informação do brasileiro hoje é o aplicativo de troca de mensagens WhatsApp, segundo o levantamento. Das 2,4 mil pessoas entrevistadas, 79% disseram sempre utilizar essa rede social para se informar.

Os resultados indicam que os brasileiros acreditam que os conteúdos nas redes sociais têm grande influência sobre a opinião das pessoas. Cerca de 80% dos participantes do levantamento compartilham essa percepção, mas o percentual varia conforme a escolaridade: é de 76% entre cidadãos que têm ensino fundamental e chega a 90% entre os que têm escolaridade superior.

Quanto à frequência com que meios de comunicação e redes sociais são usados como fonte de informação, 79% dos entrevistados responderam que sempre utilizam o WhatsApp, enquanto 50% indicaram que sempre recorrem à televisão e 49% sempre se informam pelo YouTube. Quanto mais alta a faixa de idade, maior o percentual de entrevistados que respondem utilizar sempre televisão como fonte de informação.


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