Política

Bolsonaro cita ataque nos EUA para defender o voto impresso


Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Bolsonaro diz que o voto eletrônico pode gerar problemas em 2022
Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

No dia seguinte à invasão do Congresso americano, o presidente Jair Bolsonaro disse que a falta de confiança nas eleições levou "a este problema que está acontecendo lá" e que, no Brasil, "se tivermos voto eletrônico" em 2022, "vai ser a mesma coisa" ou "vamos ter problema pior que nos Estados Unidos".

Bolsonaro aproveitou a repercussão do ataque inédito à democracia americana para repetir, sem provas, as suspeitas que costuma propagar sobre a votação eletrônica brasileira -modelo diferente do adotado nos EUA.

Na quarta-feira (6), a sessão de certificação do resultado da eleição americana, que teve a vitória de Joe Biden, foi interrompida quando uma multidão inflamada pelo presidente Donald Trump invadiu o Capitólio.

Ao contrário de outros governos, que condenaram o episódio, a administração brasileira não se manifestou. Nesta quinta-feira (7), Bolsonaro comentou a situação dos EUA com apoiadores no jardim do Palácio da Alvorada.

"Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos", disse Bolsonaro a apoiadores. Apesar de autoridades americanas negarem evidências de fraudes, ele insistiu nesta tese.

"O pessoal tem que analisar o que aconteceu nas eleições americanas agora. Basicamente, qual foi o problema, a causa dessa crise toda. Falta de confiança no voto. Então, lá, o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente lá que votou três, quatro vezes, mortos que votaram. Foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí", disse Bolsonaro.

"Então, a falta desta confiança levou a este problema que está acontecendo lá. E aqui no Brasil, se tivermos o voto eletrônico em 22, vai ser a mesma coisa", afirmou o presidente.

O voto pelos correios criticado por Bolsonaro não se repete no modelo brasileiro, que adota as urnas eletrônicas. Elas foram utilizadas pela primeira vez em todo o país no ano 2000. (FP)


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