Política

Impeachment volta à pauta, mas ainda é pouco provável

Bolsonaro Situação de Manaus, onde falta oxigênio, serviu de combustível a opositores do presidente nos últimos dias


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Movimentos de oposição têm inflado as redes sociais com pedidos de afastamento do presidente Bolsonaro
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O afastamento do presidente Jair Bolsonaro voltou à pauta nas últimas semanas com novos pedidos e protestos por parte de opositores. Em pouco mais de dois anos de governo Bolsonaro, já foram protocolados 61 pedidos de impeachment contra ele na Câmara dos Deputados. Uma média de dois por mês.

Levantamento da Secretaria-Geral da Mesa mostra que, do total, cinco foram arquivados. Quatro por serem considerados apócrifos e um porque a certificação digital utilizada no protocolo do pedido não era do autor. Os 56 restantes constam como "em análise".

Porém, o termo é apenas protocolar. A decisão de dar andamento aos pedidos depende do presidente da Câmara, posto hoje ocupado por Rodrigo Maia (DEM-RJ), que deixa o comando da Casa daqui duas semanas e já disse que não tem a intenção de colocar o assunto em votação neste período que lhe resta à frente da Câmara.

Miguel Haddad (PSDB), ex-prefeito e ex-deputado jundiaiense, aponta que o enfrentamento à covid-19 deve continuar sendo a prioridade do Congresso Nacional. "O momento agora pede a união de esforços para combater a pandemia. Esse é o assunto que deve ser tratado com prioridade e nortear as discussões nas esferas federal, estadual e municipal", comenta.

Presidente da Câmara de Jundiaí, Faouaz Taha (PSDB), afirma que, diante da condução e postura do presidente em relação à pandemia, principalmente com o caso crítico e urgente de Manaus, faz sentido que a discussão do impeachment ganhe corpo. "Temos que aguardar qualquer decisão e lembrar que enquanto essa falta de unidade política infelizmente acontece, pessoas perdem familiares, renda e sofrem. Precisamos respeitar aqueles que realmente se esforçam para combater a situação do país, tanto gestores, prefeitos, governadores, trabalhadores e profissionais da saúde", relata.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que, no atual momento, não vê possibilidade de prosperar "qualquer pedido de impeachment" contra o presidente Jair Bolsonaro. A declaração de Mourão ocorreu em entrevista do Estadão realizada na última sexta e publicada no domingo (17).

"Não vejo hoje que haja condição de prosperar qualquer pedido de impeachment contra o presidente Bolsonaro, o mais atacado, ao longo dos últimos anos", afirmou Mourão, ao responder a um questionamento sobre mais de 50 pedidos de impeachment contra Bolsonaro na Câmara.

"Quantos pedidos de impeachment o Sarney, o Fernando Henrique, o Lula tiveram? Só a Dilma, coitada, é que não conseguiu sobreviver. E o Collor, obviamente", indagou.

Embora publicamente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), resista ao seguimento de qualquer pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, durante essa semana o parlamentar sondou senadores sobre a viabilidade da tramitação de uma denúncia contra o presidente da República.

Fontes ligadas a Maia divulgaram que ele conversou com senadores do DEM, do PSDB e do MDB sobre a possibilidade de um processo de impeachment ter desfecho favorável no Senado. Os parlamentares, entretanto, ficaram divididos. Alguns senadores alegaram que um impeachment seria vetado pela Casa; outros, disseram que não poderiam traçar qualquer cenário antes de Maia dar seguimento a pelo menos um dos pedidos que estão parados na Câmara.


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