Política

Eleição da Câmara dos Deputados tem interferência do Executivo


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Arthur Lira será um importante aliado de Jair Bolsonaro até 2022
Crédito: DIVULgAÇÃO

Empenhado em eleger o deputado Arthur Lira (PP-AL) como presidente da Câmara dos Deputados, o governo federal fez uma série de promessas envolvendo emendas e cargos.

O Planalto também retaliou congressistas que tinham espaços na máquina federal e que declararam voto em Baleia Rossi (MDB-SP), principal adversário do líder do centrão.

Em resposta, Rossi, candidato do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou no sábado (30) a interferência do governo na eleição e lamentou a postura de Lira. "Infelizmente o nosso adversário flerta com grupos radicais e extremistas, que, há pouco tempo, pregavam o fim e o fechamento do Congresso Nacional, fizeram manifestações esdrúxulas na frente do Supremo Tribunal Federal, atacando as nossas instituições", disse.

O emedebista acusou ainda o governo de cooptar parlamentares para eleger o presidente da Casa, interferindo em outro Poder. "Vejo com muita preocupação essa tentativa de atrair os parlamentares com cargos, com emendas", afirmou. "Eu não sou contra as emendas, mas a crítica que nós fazemos é que não estamos vendo uma tentativa de criar uma base parlamentar com agenda, e sim simplesmente cooptar parlamentares para eleger o presidente da Câmara dos Deputados, interferindo num outro Poder."

Ele criticou ainda a promessa de emendas e recriação de ministérios para abrigar indicados do centrão em troca de votos em Lira.

APOIO

Diferentemente do que fez em anos anteriores, o Executivo abriu o cadastro para inscrição de municípios em programas federais que terão verbas carimbadas por deputados. Na prática, trata-se de um compromisso assumido por Lira e pelo governo em troca do apoio na eleição.

Para disponibilizar o dinheiro para honrar as promessas, será necessário aprovar o orçamento ou um projeto que abra crédito extra.

Segundo as informações do governo, já foram cadastrados os pedidos de cerca de 600 municípios, com demandas que giram em torno de R$ 650 milhões. São pedidos relativos ao Ministério do Desenvolvimento Regional, ao Ministério do Turismo e ao Ministério da Agricultura.

Os cálculos mais realistas de integrantes da campanha de Lira contabilizam cerca de 220 votos para o congressista. Já outros, mais otimistas, contam com no mínimo 280.

Além dessas promessas, feitas já durante o período de campanha, em 2020 Lira já havia feito uma série de concessões. No fim do ano, a Câmara aprovou o PLN 30, projeto de lei que abriu crédito suplementar de quase R$ 6,1 bilhões a oito ministérios. Este valor foi repassado aos líderes de partidos da base, que distribuíram entre os congressistas.

Em dezembro, o governo já usava a liberação dos recursos referentes a essas emendas como moeda de troca e segurou verbas em casos nos quais o parlamentar não afirmava que votaria em Lira e atuou de forma contrária no caso oposto. Depois, passou a oferecer ainda mais recursos para quem votasse favoravelmente.

Em outra frente, segundo relato de congressistas, o Executivo fez uma série de nomeações em cargos de segundo escalão e estaduais durante o mês de janeiro. Da mesma forma, retirou indicados que estavam em órgãos federais.

(Folhapress)


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