Política

Grupo de médicos e cientistas protocola pedido de impeachment de Bolsonaro

Mais de 60 pedidos de impeachment já foram protocolados contra o presidente da República


Marcelo Camargo/Agência Brasil
"Todo serviço que coloca pão na mesa é essencial", disse Bolsonaro
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um grupo de médicos e cientistas protocolou um pedido de impeachment na Câmara contra o presidente Jair Bolsonaro. O pedido afirma que Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade na condução da pandemia de Covid-19.

Para embasar o pedido, os médicos e cientistas listaram uma série de declarações públicas e ações de Bolsonaro desde março de 2020, quando o coronavírus começou a se alastrar pelo país, até o dia 20 do mês passado.

Foi citada, por exemplo, a frase "Não sou coveiro", proferida por Bolsonaro após ser questionado sobre o elevado número de óbitos pela doença no país. O pedido lembra também as declarações de Bolsonaro contra as medidas de isolamento social e as ocasiões em que o presidente minimizou os efeitos da doença.

Segundo os médicos e cientistas, o presidente "usou seus poderes legais e sua força política para desacreditar medidas sanitárias de eficácia comprovada e desorientar a população cuja saúde deveria proteger".

O pedido também afirma que o negacionismo de Bolsonaro tem custado vidas de brasileiros.

"O Sr. Jair Messias Bolsonaro insistiu em arrastar a credibilidade da Presidência da República (e, consequentemente, do Brasil) a um precipício negacionista que implicou (e vem implicando) perda de vidas e prejuízos incomensuráveis, da saúde à economia", diz um trecho do documento.

O documento foi assinado por oito profissionais entre médicos e cientistas. São eles:

- Daniel de Araújo Dourado - Médico, advogado e pesquisador Associado do Núcleo de Pesquisa em Direito

- Sanitário da Universidade de São Paulo (NAP-DISA/USP)

- Eloan dos Santos Pinheiro - Ex-diretora da Far-Manguinhos (Fiocruz)

- Gonzalo Vecina Neto - Médico, professor de saúde pública da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

- José Gomes Temporão - Médico sanitarista e ex-ministro da Saúde

- Ethel Leonor Noia Maciel - Pesquisadora no Campo da Saúde Coletiva, com ênfase em Epidemiologia

- Reinaldo Ayer de Oliveira - Médico e Conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP)

- Ricardo Oliva - Médico sanitarista

- Ubiratan de Paula Santos - Pneumologista do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidir se aceita ou não um pedido de impeachment. Já foram protocolados mais de 60 pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Lira é aliado do presidente da República.

 

OUTROS PEDIDOS

No dia 26 de janeiro lideranças religiosas protocolaram na Câmara um pedido de impeachment contra Bolsonaro, também devido à atuação do governo no enfrentamento da pandemia.

O documento foi assinado por 380 pessoas, entre as quais bispos, pastores, padres e frades, ligadas a igrejas cristãs, incluindo católicas, anglicanas, luteranas, presbiterianas, batistas e metodistas, além de 17 movimentos cristãos.

No dia seguinte, outro pedido foi protocolado por seis partidos de oposição — PT, PSB, PDT, PCdoB, PSOL e Rede – com base nos mesmos argumentos.


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