Política

Contrariado, Guedes acata ordens de Bolsonaro por risco de greve


DIVULGAÇÃO
Bolsonaro e Guedes discordaram sobre alguns assuntos nos últimos dias
Crédito: DIVULGAÇÃO

Antes colocado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como dono da palavra final em decisões econômicas do governo, o ministro Paulo Guedes (Economia) viu seus interesses contrariados em dois episódios consecutivos na mesma semana.

Medidas na área de combustíveis, determinadas pelo presidente, foram acatadas pelo Ministério da Economia sob o argumento de que havia risco iminente de uma greve dos caminhoneiros. A justificativa é que o impacto da paralisação só não seria mais danoso do que a própria pandemia do novo coronavírus.

Agora, a pasta trabalha para evitar uma guinada na política econômica do governo, o que poderia derrubar a credibilidade do país.

Membros da área econômica afirmam que os próximos 90 dias serão decisivos para avaliar o caminho escolhido pelo Palácio do Planalto. O foco, no momento, será garantir a aprovação das medidas de ajuste fiscal como contrapartida à liberação de uma nova rodada do auxílio emergencial.

A isenção de impostos sobre combustíveis e a indicação do general Joaquim Silva e Luna para o comando da Petrobras foram ordenadas por Bolsonaro apesar de posições contrárias do ministro da Economia.

Após os anúncios do presidente, Guedes estabeleceu um período de silêncio. Nos bastidores, mesmo tentando minimizar os atos de Bolsonaro, auxiliares do ministro reconhecem que, em alguma medida, eles provocarão impacto negativo.

A pasta trabalha com dois cenários possíveis. No primeiro, o dano seria restrito à desvalorização das ações da Petrobras por conta da desconfiança gerada pela retirada de um liberal e a indicação de um general ao comando da estatal. Para isso, a turbulência não poderá afetar a pauta econômica de Guedes, com medidas de ajuste nas contas públicas e reformas estruturantes.

O segundo cenário, considerado catastrófico, seria uma mudança de rumos da gestão econômica do governo, o que colocaria em risco a agenda liberal de Guedes. A avaliação é que uma ruptura de confiança na política de longo prazo seria muito mais nociva do que a alteração pontual na Petrobras, provocando fuga de investimentos e elevação de juros, inflação e desemprego. (FP)


Notícias relevantes: