Política

Mudança na Petrobras gera incertezas e perda bilionária

Comando Desde o anúncio do novo presidente, na sexta-feira, o valor de mercado da companhia já desceu mais de R$ 72 bilhões


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Após consecutivos aumentos nos preços dos combustíveis, a Petrobras terá um novo presidente
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A troca de presidente da Petrobras anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro gerou discussões sobre o futuro da companhia e, principalmente, sobre o teor liberalista tão defendido por Bolsonaro e pelo seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

A bolsa de valores brasileira, a B3, operou em forte queda nesta segunda-feira (22). Segundo levantamento da empresa Economatica, com o tombo nas cotações, a Petrobras perdeu em poucas horas nesta segunda-feira mais de R$ 72 bilhões em valor de mercado.

Segundo Sérgio Lazzarini, professor de economia do Insper, o perfil intervencionista do presidente tende a se acirrar, porque o ciclo eleitoral tornou-se prioridade. "Bolsonaro começa a perder muito a franja do liberal econômico e vai se agarrar mais no populismo para agradar seu eleitorado, como o caminhoneiro e o conservador raiz, como estratégia de ir ao segundo turno com 25% dos votos e torcer para uma nova polarização nas eleições", diz.

A teoria, porém, não é uma unanimidade. "A troca de comando na Petrobras não foi uma guinada: foi o Bolsonaro em seu estado mais chucro... e põe chucro xucro nisso", afirma Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central (BC). Para ele, não há novidade no movimento, que é a "enésima lição do que é o Bolsonaro."

Segundo ele, caso o presidente insista em medidas deste tipo, a retomada será mais difícil. "A janela para colocar economia do país no eixo, principalmente na questão fiscal, está estreitando", afirma. "Se a economia emburacar de vez, não haverá votos de caminhoneiro, nem de ninguém."

Ex-deputado federal, o jundiaiense Miguel Haddad (PSDB) afirma que na época do PT a interferência do governo federal na administração da Petrobras trouxe grandes prejuízos ao Brasil e danos à imagem da estatal. "E a forma como está, atualmente, sendo conduzida a troca de comando da Petrobras, parece repetir os erros do passado e, consequentemente, acarretará os mesmos resultados. Sem uma visão de longo prazo, essas interferências, motivadas por questões do momento, são prejudiciais para a empresa e para a população brasileira", relata.

No sábado (20), Bolsonaro disse que precisa "trocar as peças que porventura não estejam funcionando". E que, "na semana que vem, teremos mais", sem dar mais detalhes. Bolsonaro também disse no sábado que vai "meter o dedo na energia elétrica", e que, "se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais", destacou.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, saiu em defesa neste sábado (20) da decisão do presidente Jair Bolsonaro de intervir no comando da Petrobras. A substituição do atual presidente da estatal, Roberto Castello Branco, pelo general Joaquim Silva e Luna foi anunciada na noite de sexta (19).

No Twitter, Faria afirmou que o governo é "100% liberal na economia", acredita no livre mercado e "jamais irá intervir em preços". Segundo o ministro, a troca foi um fato isolado motivada pela "total falta de afinidade" entre Bolsonaro e Castello Branco.

 


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