Política

Impeachment não é prioridade e queda de ações é uma 'bolha'

Petrobras O presidente da Câmara, Arthur Lira, negou que a substituição do mandatário da empresa seja motivo de preocupação


Divulgação
O presidente Arthur Lira trabalha nos bastidores para conseguir um acordo e chegar à aprovação do PEC que trata da imunidade parlamentar; vária opiniões sobre o tema
Crédito: Divulgação

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), saiu em defesa da nomeação do novo comandante da Petrobras feita pelo presidente Jair Bolsonaro e qualificou o caos provocado na estatal como "bolha histérica".

Ao falar sobre o projeto de autonomia do Banco Central, que deve ser sancionado por Bolsonaro nesta quarta (24), o líder do centrão negou que a decisão do presidente de substituir Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna seja uma ingerência na estatal.

"Para a política, transpareceu o seguinte modelo. Foi um eletrocardiograma que fez um pico e depois estabilizou", disse. "[Que] A sanção desse projeto não seja minimizada por simplesmente uma troca de um presidente de uma empresa que é da atribuição do presidente da República."

Lira, a seguir, qualificou o que aconteceu nos últimos dias com a petrolífera como "uma bolha histérica". "Todos os grandes influenciadores do mercado estão aconselhando comprar Petrobras. Então será que o ex-presidente da Petrobras era o único que poderia ter a fórmula do cálculo ideal de como que é feita a conta do combustível, do óleo, da gasolina? Não, e não há nenhuma previsão de ingerência", afirmou.

Ele negou ter havido qualquer ingerência nos preços praticados pela empresa ou risco de "voltarmos a épocas anteriores."

"Eu não vejo simplesmente o fato de você trocar o presidente da empresa de livre nomeação do presidente da República possa gerar esse tipo de expectativa e a Câmara dos Deputados e o Senado Federal têm todas as ferramentas para manter o Brasil nos trilhos e com os acompanhamentos das situações econômicas que possam acontecer com freios e contrapesos, como aconteceu no ano passado", complementou.

Impeachment

Lira também afirmou nesta terça-feira (23) que a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro não está entre suas prioridades e que não vê clima para a "medida extrema".

Questionado se abriria um processo de impeachment contra Bolsonaro, Lira lembrou que seu antecessor no cargo, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), não viu necessidade de dar sequência a pedidos protocolados e submetê-los a votação.

"E preciso ser franco com todos os senhores. Eu não vejo clima. É uma medida extrema, é uma medida de ruptura política", afirmou o líder do bloco de partidos do centrão, que afirmou que o procedimento tem que ser tratado como "questões esporádicas".

Maia deixou o cargo com mais de 60 pedidos de impeachment em análise. Pela legislação, cabe ao presidente da Câmara decidir, de forma monocrática, se há elementos jurídicos para dar sequência à tramitação do pedido.

Nesse caso, o impeachment só é autorizado a ser aberto com aval de pelo menos dois terços dos deputados (342 de 513), depois de votação em comissão especial. "Nós estamos na terceira semana dessa nova gestão e eu sequer tive como olhar para isso [pedidos de impeachment], porque não é nossa prioridade", disse.


Notícias relevantes: