Política

PIB brasileiro cai 4% em 2020, mas números são 'celebrados'

Recorde Mesmo com números negativos, equipe econômica considera o impacto econômico da pandemia menor que o previsto


Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro reiterou que o Brasil foi um dos países que menos caiu em todo o mundo
Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Diante da contração recorde de 4,1% da economia brasileira em 2020 devido ao impacto da pandemia de covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comemorou nesta quarta-feira (3) uma queda menor que a esperada e, como "dado positivo" disse que somos um dos países com menor queda no PIB (Produto Interno Bruto).

Ao deixar uma reunião com embaixadores de países produtores de petróleo do Golfo Pérsico, o presidente foi instado a comentar os dados do PIB divulgados horas antes pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Trata-se do maior recuo da série histórica com a metodologia atual, que começa em 1996, superando a retração de 3,5% registrada em 2015. "Desculpa, eu não tomei conhecimento da avaliação do PIB. O que eu posso falar para você [é] que se esperava que a gente ia cair 10%, mas parece que caímos 4%. É um dos países que menos caiu no mundo todo, então, tem esse dado positivo", disse Bolsonaro.

Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam queda de 4,2% no acumulado do ano e crescimento de 2,8% no trimestre, na comparação com o trimestre anterior (queda de 1,6% na comparação com o mesmo trimestre de 2019).

O resultado do ano veio melhor do que o projetado pelo Ministério da Economia, que esperava uma queda de 4,5% para o ano de 2020. Já o Banco Central estimava uma queda de 4,4% para o ano.

Os economistas consultados pelo BC no boletim Focus chegaram a apontar contração de quase 7% durante o ano, mas as expectativas se tornaram menos negativas após o Congresso Nacional aprovar o auxílio emergencial e outras medidas de estímulo, que alcançaram patamares equivalentes aos gastos de países desenvolvidos.

"O que fez a economia movimentar? Em parte, o auxílio emergencial. Este dinheiro, quando vai para o município, ele roda na economia local, que interfere na arrecadação de impostos municipais, estaduais e federais também", disse Bolsonaro.

Ele também afirmou que o governo agiu para evitar demissões com o desaquecimento da economia proporcionado pela pandemia. "O governo federal fez tudo possível para evitar que tivéssemos um caos no Brasil. Instalando-se um caos, a gente não sabe o que pode acontecer. Eu temia, lá atrás, questões de problemas sociais gravíssimos. Graças a Deus, com estas medidas, não tivemos", afirmou o presidente.

Questionado sobre a possibilidade de pagamento retroativo do auxílio emergencial, Bolsonaro disse não haver dinheiro em caixa. "A economia tem que pegar. Alguns falam que eu não estou preocupado com mortes. Estou preocupado com mortes, mas emprego também é vida", afirmou.

Paulo Guedes, ministro da Economia, disse que o governo fez "muita coisa com espírito federalista de descentralizar recursos" durante o ano passado. Segundo ele, o governo foi alvo de críticas por estar sem meta de déficit, suspensa em 2020 por causa da calamidade da covid-19, mas ele ponderou que "seria tolice elevar impostos em meio à depressão". Ele lembrou que o governo diferiu impostos para ajudar empresas.


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