Política

Crise econômica gera necessidade de ações no âmbito político e social

Pandemia As consequências do isolamento social e do fechamento das atividades comerciais estão cada vez mais evidentes e voltaram a ser discutidas


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A pandemia tem batido recordes negativos de casos e mortes no Brasil, e gerado conflitos em várias outras áreas como a economia e a política
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A crise financeira provocada pela pandemia da covid-19 já ultrapassou a barreira econômica e começa a afetar também a parte social, além de gerar consequências políticas. Com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, todos os problemas criados pelo lockdown e fechamento dos comércios estão longe de acabar.

A queda de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 mostrou que o país passou pelo chamado período recessão, mas tem se recuperado no primeiro trimestre deste ano. "A recessão afeta a vida das pessoas porque temos menos empregos, mais pessoas em situação de vulnerabilidade, menor poder de compra, e, portanto, menor bem-estar", afirma a economista e professora do Insper, Juliana Inhasz.

Com o aumento do desemprego, cresce o trabalho informal e essa situação leva à precarização das relações de trabalho, incluindo a redução da renda familiar. Outra consequência é a ampliação da pressão social por políticas econômicas e sociais para reduzir as desigualdades na distribuição de renda e também no acesso a serviços, como educação, saúde e moradia.

Um exemplo disso é a extensão do auxílio emergencial durante a pandemia do coronavírus, pois a impossibilidade de ampliar a renda por meio da geração de empregos criou uma pressão para que o governo ajudasse mais aqueles que perderam seus empregos.

"As causas de uma recessão podem ser políticas econômicas mal executadas ou mal gerenciadas, ou choques externos que causam uma considerável redução em produção, consumo e investimento. Uma pandemia como a de covid-19 também afeta tudo, por causar incertezas na produção devido à expectativa de queda do consumo das famílias", explica Juliana.

Ao afirmar, em pronunciamento na quinta-feira (4), que 2021 será um ano desafiador, o senador Jayme Campos (DEM-MT) defendeu que os três Poderes da República assumam o papel de indutor do desenvolvimento do país e busquem a pacificação social, por meio do entendimento e do diálogo entre seus integrantes.

Para alcançar esses objetivos, o Congresso Nacional, na opinião de Jayme Campos, deverá atuar em três frentes, sendo a primeira delas garantir a vacinação em massa da população.

Outro tema para o qual o Congresso deverá orientar seus esforços, disse o senador, é a aprovação de propostas voltadas ao socorro da parcela mais vulnerável da sociedade. Jayme Campos citou estudo no qual a Fundação Getúlio Vargas alerta que, por causa do fim do pagamento do auxílio emergencial, mais de 20 milhões de brasileiros passarão a viver em extrema pobreza, com uma renda familiar per capita inferior a R$150.

"Temos de avançar com reformas estruturais relevantes, como a tributária, a social, a melhoria da prestação de serviços públicos, o aumento de investimento em infraestrutura e o aprimoramento do nosso modelo federativo. Além de eliminarem distorções do atual sistema produtivo, em médio e longo prazos, as mudanças teriam capacidade de aumentar o nível de investimentos público e privado e estimular a criação de mais oportunidades na sociedade", afirmou.

Ex-deputado federal jundiaiense, Miguel Haddad, (PSDB) lembra da queda do PIB brasileiro e afirma que, mesmo com a disparada nos preços das commodities exportadas pelo Brasil, as expectativas ainda pessimistas para este ano. "Na raiz de todos esses problemas está a polarização extremada da política e da sociedade brasileira em geral. No momento, praticamente tudo depende de como e quando conseguiremos nos livrar da covid-19. Mas, mesmo assim, a condição essencial para voltarmos a crescer é dar prioridade não àquela ou a esta ideologia, o que acirra a polarização, mas ao interesse nacional, ao interesse do povo brasileiro", comenta.

'Plano Pronto'

O presidente Jair Bolsonaro disse esta semana que está pronto para colocar em prática seu plano de combate à crise sanitária no País, se o Supremo Tribunal Federal (STF) entender que é responsabilidade de seu governo a determinação de medidas para conter a doença. Bolsonaro deu a declaração após comentar pedido de secretários estaduais de Saúde para um "toque de recolher" nacional, na tentativa de evitar a disseminação do novo coronavírus.

"Se eu tiver poder para decidir, eu tenho o meu programa, o meu projeto, pronto para botar em prática no Brasil. Agora, preciso ter autoridade", afirmou o presidente. "Se o Supremo Tribunal Federal achar que pode dar o devido comando dessa causa a um poder central, que eu entendo ser legítimo e meu, eu estou pronto para botar o meu plano em prática", completou.


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