Política

Saúde passa por mudanças, mas continua nas mãos de Bolsonaro

Ministério Especialistas acreditam que o novo ministro pouco trará em novidades, e que a importante pasta continuará seguindo as crenças do presidente


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Marcelo Queiroga e Jair Bolsonaro terão de falar a mesma língua em relação às ações do Ministério da Saúde
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Em evidência há pouco mais de um ano por conta da pandemia da covid-19, a pasta da Saúde passou por mais uma importante mudança nesta semana. O cardiologista Marcelo Queiroga foi escolhido para ser o quarto ministro da Saúde do governo Bolsonaro em meio ao pior momento da pandemia desde o seu início.

No entando, as mudanças na pasta, tão constantes sob o comando do atual chefe do executivo, não são exclusidades do atual governo. Desde 2010, entre exonerações e nomeações, o Ministério já foi comandada por dez ministros diferentes. E mais: nenhum completou o mandato de 4 anos.

Em 2011, logo após assumir a presidência, Dilma (PT) trocou o médico José Gomes Temporão por Alexandre Padilha, o único, até hoje, a completar três anos no mesmo cargo. Ainda sobre o primeiro comando da petista, Arthur Chioro esteve à frente da pasta.

Entre o segundo mandato e o impeachment de Dilma, o ministério se viu nas mãos de mais dois chefes: o médico Marcelo Castro e o bioquímico Agenor Álvares, interino. Michel Temer (MDB), como previsto, chegou mudando tudo outra vez. Para o importante cargo, nomeou Ricardo Barros, que durou pouco menos de dois anos. Em 2018, a cadeira foi reocupada por Gilberto Occhi. Na história recente, desde 2019, quatro nomes já passaram por lá.

O médico sanitarista Mauro Sizer afirma que a situação no Brasil só irá melhorar com ações cientificamente eficazes. "O ministério está no rumo que o presidente dita, que não é necessariamente científico, e por isso a situação está como hoje. Mandetta e o Teich tinham uma visão mais científica e não duraram no cargo. Já tivemos ministros que não foram médicos nem da área de Saúde, como o José Serra, mas que seguia os profissionais da área e tinha uma equipe bastante estruturada", lembra.

As mudanças entre governos distintos é previsível, mas a constante dança das cadeiras durante um mesmo mandato preocupa especialistas. "É muito alarmante pois os planos e as políticas acabam fragmentados, os processos são sempre interrompidos", ressaltou Andréa Gonçalves, professora da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em política pública na área da saúde.

"Apesar de termos um Sistema Único de Saúde (SUS), sabemos que ao redor dele existem outras várias políticas. Com a troca, os ministros chegam, independente de questão partidária, com outras propostas, sem levar adianta as ações pré-existentes em torno do sistema", continuou.

No primeiro encontro com o novo ministro, Pazuello apresentou as estruturas do Ministério. "Nós estamos somando com a chegada do doutor. Não dividindo e nem separando. Viemos para alinhar alguns pontos, e já iremos, hoje, ao Rio de Janeiro para darmos encaminhamento à produção das vacinas do Instituto Fiocruz", afirmou o atual líder da pasta.

Queiroga também se manifestou, e afirmou que irá buscar uma relação harmônica com estados e municípios. "Fui convocado para assumir o ministério. Sei da grande responsabilidade. Sozinho não vou fazer nenhuma mágica, mas tenho certeza de que teremos a ajuda dos brasileiros. Irei buscar um diálogo com os secretários de saúde estaduais e municipais para que possamos conter desde já a disseminação do vírus. Peço um voto de confiança", disse.

Na avaliação do cientista político Antônio Lucena, o novo ministro já se adequou ao discurso do presidente Bolsonaro e que poucas mudanças virão pela frente.

"Bolsonaro quer uma figura diferente para mostrar que alguma coisa está mudando, mas na verdade, acredito que vão permanecer as mesmas coisas. Ele vai continuar ainda dando cartas. O maior exemplo é que não haverá uma inflexão desse discurso", disse exemplificando que a falta de grandes mudanças no Ministério da Saúde se dá ao fato de Bolsonaro ter rejeitado o nome da médica Ludhmila Hajjar.

HISTÓRICO

O primeiro Ministério com ações na área da saúde foi criado em 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, com o nome de Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública. Em 1937 passou a se chamar Ministério da Educação e Saúde.

Em 25 de julho de 1953 foi definido oficialmente como Ministério da Saúde. Em 1956, vinculado a este ministério, surgiu o Departamento Nacional de Endemias Rurais, com finalidade de executar os serviços de combate a endemias existentes no país.


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