Política

Bolsonaro finaliza reforma ministerial com seis trocas

CRISE Se por um lado a saída de Ernesto Araújo já era esperada, por outro Fernando Azevedo e Silva surpreendeu ao pedir demissão


Marcello Casal JrAgência Brasil
Ernesto Araújo não resistiu à pressão e deixou ontem (29) o Itamaraty
Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro realizou nesta segunda-feira (29) uma reforma ministerial com seis trocas no primeiro escalão do governo. As mudanças foram confirmadas em uma nota da Secretaria de Comunicação Social, vinculada ao Ministério das Comunicações.

Na Casa Civil da Presidência da República, assume Luiz Eduardo Ramos, atual ministro da Secretaria de Governo. O delegado da Polícia Federal Anderson Torres, atual secretário de Segurança Pública do Distrito Federal será o novo ministro da Justiça e Segurança Pública.

Para o Ministério da Defesa, o escolhido é o general Walter Souza Braga Netto, atual chefe da Casa Civil. O embaixador Carlos Alberto Franco França, diplomata de carreira que estava na assessoria especial da Presidência da República, assume o Ministério das Relações Exteriores.

A nova Secretaria de Governo da Presidência da República é a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF). E a Advocacia-Geral da União (AGU) fica com André Mendonça, que já chefiou a AGU no início do governo e estava no Ministério da Justiça.

Com as mudanças, deixam de ser ministros os atuais titulares Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e José Levi (AGU). Os outros três ministros envolvidos nas mudanças - Ramos, Braga Netto e Mendonça - foram apenas remanejados para novos postos ministeriais.

Demissões

O general Fernando Azevedo e Silva deixa o Ministério da Defesa. O comunicado não informa o motivo da decisão - que não havia sido antecipada pelo ministro ou pelo presidente Jair Bolsonaro até esta segunda. Azevedo e Silva foi anunciado como ministro ainda durante a transição de governo, em 2018.

Azevedo foi chefe do Estado-Maior do Exército, um dos postos de maior prestígio na Força, e passou à reserva em 2018. Quando foi anunciado ministro, ele era assessor do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

Azevedo e Silva permaneceu por dois anos e três meses à frente do Ministério da Defesa. As Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) são vinculadas à pasta.

Neste período, Bolsonaro manteve o hábito de visitar a sede do ministério, na Esplanada dos Ministérios, e priorizou os gastos na área. O governo aprovou uma reformulação da carreira dos militares, por exemplo, e conseguiu negociar junto ao Congresso regras diferenciadas para a categoria na reforma da Previdência.

Ernesto Araújo

Mais cedo nesta segunda, foi Ernesto Henrique Fraga Araújo, sob pressão do Congresso, que informou estar de saída do Ministério das Relações Exteriores.

Ernesto, que à época de sua posse era um desconhecido diplomata recém-promovido a embaixador, deixa o posto após ter amealhado a aversão de diferentes setores da sociedade e do governo. Das cúpulas do Congresso Nacional aos generais que aconselham Bolsonaro, de grandes empresários a lideranças do agronegócio, todos se uniram nos últimos dias para tirá-lo da Esplanada.

Ernesto se reuniu com Bolsonaro no final da manhã desta segunda, quando disse ao presidente que deixaria a chefia do Itamaraty.

 


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