Política

Sem conseguir a compra direta de vacinas, municípios seguem reféns

REGIÃO Após confirmarem entrada no Consórcio Nacional de Vacinas, as cidades do AUJ até reservaram verba, mas não há demanda de doses para venda


Marcelo Camargo/Agência Brasil
Municípíos do Aglomerado Urbano de Jundiaí até possuem verba separada para a compra de vacinas, mas não há oferta de doses suficiente
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quase um quarto dos municípios brasileiros teve de interromper a vacinação contra a covid-19 na últimna semana de abril por falta de imunizantes para a primeira dose. O dado é de um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que não divulgou o nome das cidades que enfrentam problemas com a falta de doses.

As sete cidades do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) já demonstraram interesse na compra direta de vacinas com os fabricantes, mas esbarram na falta de doses e continuam dependendo da distribuição dos governos estadual e federal. Em sessão extraordinária realizada de maneira on-line no dia 16 de março, a Câmara de Jundiaí aprovou o projeto de lei do prefeito Luiz Fernando Machado (PSDB) que ratificou a entrada do município na Frente Nacional de Prefeitos (FNP) para constituição do Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras (CONECTAR).

A aprovação do texto oficializou a adesão de Jundiaí ao Consórcio, que tem como finalidade contribuir para agilizar a imunização da população contra a covid-19 e atender eventuais demandas por medicamentos, equipamentos e insumos necessários. Quase dois meses depois, porém, a compra direta ainda não foi viabilizada.

De acordo com o prefeito Luiz Fernando Machado (PSDB), por parte do município, foram consultados fabricantes de vacinas que já formalizaram acordos com o Ministério da Saúde, com o intuito de agilizar a vacinação em Jundiaí. Outra medida tomada pelo governo municipal foi a adesão ao Consórcio de Municípios do Brasil, para formalizar acordos para compra de vacinas contra covid-19.

"O que as circunstâncias têm mostrado é que efetivar a negociação com laboratórios que produzem alguma vacina apenas através de prefeituras tem sido difícil. Adquirir imunizantes é interesse mundial neste momento", afirma.

"Temos acompanhado todas as ações relacionadas à vacinação no nosso país, desde o dia 7 de janeiro, quando o governo federal assinou o primeiro contrato com o Butantan. É evidente a necessidade de deixar posições ideológicas e partidárias para unir forças, União, estados e municípios, com um único objetivo de vacinar em massa para restabelecer a normalidade", avalia o prefeito.

A Prefeitura de Jundiaí conta com R$ 1 milhão indicado em fundo de contingência do município para o uso, em caso de efetivação de compra de vacinas a partir das iniciativas desencadeadas, sejam elas individualizadas ou por meio do consórcio da Frente Nacional dos Prefeitos. Periodicamente é encaminhada cotação do mercado externo em relação à compra, com a variação de preços entre U$ 2 a U$ 44 por dose.

Jundiaí tem toda a infraestrutura necessária para a ampla aplicação de vacinas contra a covid-19, contando com capacidade de armazenagem para mais de 140 mil doses de imunizantes, Plano Municipal de Imunização, com definição de mais de 20 pontos que podem ser usados para a aplicação, além de servidores com expertise em aplicação em massa de vacinas.

Campo Limpo Paulista também faz parte do consórcio regional e deixou a reserva de R$ 1 milhão para a compra das vacinas. Esse valor está separado e não é possível especificar a quantidade a ser comprada antes da definição do laboratório que será feita a compra.

Na opinião do prefeito Luiz Antonio Braz (PSDB), a lentidão no processo das vacinas foi causado pelo governo federal, principalmente por questões políticas, atrasando hoje a imunização da população e dando margem ao surgimento de novas cepas.

"Quanto ao recurso destinado para a compra das vacinas a medida é necessária e deve ser vista como um investimento em saúde, evitando danos maiores. Mas esse valor não precisará ser usado, pois temos a Coronavac e a futura Butanvac [ainda não aprovada pela Anvisa]. Dr. Luiz diz acreditar que o governador paulista João Dória (PSDB) será capaz de manter a vacinação, mesmo com a lentidão registrada na Região.

A Prefeitura de Itupeva diz estar trabalhando em várias frentes para adquirir as vacinas. "Até o momento, vacinamos 10,12% da população com a primeira dose e 5% com a segunda. Sabemos de todos os entraves que envolve a aquisição da vacina e esperamos que o governo federal, através do Ministério da Saúde, encontre rapidamente uma alternativa. De qualquer forma,, asseguramos que, se surgir a possibilidade de compra pelo município, trataremos como prioridade dentro do nosso orçamento", afirma o Executivo.


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