Política

Wajngarten é ameaçado de prisão ao prestar depoimento à CPI


Edilson Rodrigues
Wajngarten prestou depoimento nesta quarta-feira à CPI da Covid
Crédito: Edilson Rodrigues

Em depoimento à CPI da Covid, o ex-secretário Fabio Wajngarten (Comunicação da Presidência) se esquivou de perguntas, irritou senadores, ouviu ameaça de prisão e admitiu que a carta em que a Pfizer oferecia negociar doses de vacina ao Brasil ficou parada por ao menos dois meses no governo federal.

O clima ao longo do depoimento ficou tão tenso que o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), ameaçou pedir a prisão de Wajngarten caso ficasse comprovado que esse mentiu a respeito de declarações que deu à revista Veja no mês passado.

Durante a sessão da CPI, Renan afirmou ainda que o ex-secretário incrimina Jair Bolsonaro, ao confirmar a existência de um ministério paralelo, de aconselhamento ao presidente durante a pandemia, fora da estrutura do Ministério da Saúde.

"Ele disse desconhecer a existência [de um ministério paralelo], mas é o contrário: vossa excelência é a prova da existência dessa consultoria, é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República, porque iniciou uma negociação em nome do Ministério da Saúde, como Secretário de Comunicação e se dizendo em nome do presidente; é a prova da existência disso", disse o senador.

"Eu queria dizer que vou cobrar a revista Veja: se ele não mentiu, que ela se retrate a ele; e, se ele mentiu à revista Veja e a esta comissão, eu vou requerer, na forma da legislação processual, a prisão do depoente, apenas para dizer isso e para não dizerem que nós não estamos tratando a coisa com a seriedade que essa investigação requer", completou Renan, relator da CPI.

Na CPI, Calheiros centrou boa parte das questões que fez em elementos levantados pelo próprio Wajngarten em entrevista à Veja.

À revista o ex-auxiliar de Bolsonaro afirmou que entrou em contato com a Pfizer após saber que o laboratório havia enviado carta ao governo para abrir negociação e ficado sem resposta. O ex-secretário também atribuiu a "incompetência e ineficiência" o fracasso na assinatura do contrato àquela época, em setembro do ano passado. (FP)


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