Política

Pazuello depõe em mais uma sessão agitada da CPI

PANDEMIA O ex-ministro da Saúde foi questionado principalmente sobre as negociações para compra de doses da vacina


Edilson Rodrigues
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia realiza oitiva do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello
Crédito: Edilson Rodrigues

O ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou nesta quarta-feira (19) em depoimento à CPI da Pandemia que as cinco cláusulas apresentadas pela farmacêutica Pfizer, em 2020, eram "assustadoras".

"O assunto Pfizer é simples de se compreender. A prospecção da Pfizer começou em abril ou maio. Uma vacina completamente diferente do que estamos acostumados, uma tecnologia que não era de conhecimento do Brasil, e de uma empresa que não topava a discussão da tecnologia conosco, não tem transferência de tecnologia", afirmou o ex-ministro.

"Quando tivemos a primeira proposta oficial da Pfizer (...) naquele momento, a oferta vinha com 5 cláusulas que, para mim, eram assustadoras, na época. Estávamos tratando oferta com Oxford que chegaria a 200 milhões de doses, com Covax 42 milhões e a Pfizer colocando cinco cláusulas complicadíssimas", completou.

Ele detalhou em seu depoimento quais eram essas cláusulas, incluindo uma que exigia a assinatura do presidente da república em contrato - algo que não existiria na legislação brasileira.

"A primeira vez que ouvi isso achei muito estranho. E a Pfizer trouxe a US$ 10 a dose e estávamos negociando a US$ 3,75, era 3 vezes mais cara." Pazuello afirmou ainda que, em novembro, pediu para que a empresa refizesse o memorando de entendimento com dados atualizados.

"Em dezembro ela mandou o memorando atualizado e coloca que 8,5 milhões no primeiro semestre e 62,5 milhões no segundo semestre. Apesar de achar pouca quantidade para o que estavam oferecendo (...) mandamos para os órgãos de controle como a CGU AGU, TCU e disseram que não deveria ser assinado", afirmou o ex-ministro.

Segundo Pazuello, mesmo com as recomendações contrárias ele determinou a assinatura do memorando. "Porque se não assinássemos ela [Pfizer] não entraria com os pedidos [de registro de uso] na Anvisa. Ela só entraria se assinássemos o memorando, que foi assinado contra as recomendações."

Pazuello garantiu que sua nomeação para a pasta nunca esteve vinculada a qualquer tipo de ordem específica do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a autorização de uso da cloroquina ou de qualquer outro medicamento contra a covid-19. "Em hipótese alguma. O presidente nunca me deu ordens diretas para nada", disse Pazuello, ao ser questionado sobre essa possibilidade pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Ele também negou que houvesse qualquer tipo de aconselhamento paralelo e externo ao presidente em relação às questões da pandemia do novo coronavírus. "Para colocar uma pedra neste assunto: o presidente falou para mim e para os ministros várias vezes: 'assunto de Saúde quem trata é o ministro Pazuello'", afirmou.

"Nunca, nunca, vou repetir, nem uma vez eu fui chamado para ser orientado pelo presidente de forma diferente por aconselhamentos externos. Não quero dizer com isso que qualquer pessoa e, principalmente, um presidente da República não ouça pessoas ou não levante dados para avaliar o que acontece em volta dele", completou.

Eduardo Pazuello passou mal no intervalo da CPI da Covid e o depoimento do ex-ministro da Saúde foi adiado, informou o presidente da comissão do Senado, Omar Aziz (PSD-AM). A continuação será hoje às 9h30.

 


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