Política

Mesmo sem Covas, PSDB deve continuar atuante em São Paulo

PREFEITURA Tucanos relatam bom alinhamento com o MBD e agora visam fortalecer o partido visando a disputa pelo governo estadual em 2022


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Garcia migrou do DEM para o PSDB e deve concorrer ao governo estadual
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Com a morte de Bruno Covas, seu vice, Ricardo Nunes, 53, assume o comando da maior cidade do país. Ex-vereador por dois mandatos pelo MDB, ele é católico praticante e ligado à associação de empresários da Zona Sul. Como parlamentar, Ricardo Nunes compôs a base de apoio dos ex-prefeitos Fernando Haddad (PT) e João Doria (PSDB).

Sem a prefeitura, o partido passa agora por uma fase de transição para definir quem será o candidato ao governo paulista no ano que vem. Com a provável candidatura do governador João Doria à presidência da República, o que deverá ser definido após as prévias do partido no dia 17 de outubro, o PSDB Estadual começa a discutir quem será o candidato da legenda ao governo de São Paulo.

O vice-governador Rodrigo Garcia, recém filiado ao partido, é o predileto de Doria para a vaga. Afinal, se o governador deixar o cargo em abril para disputar a presidência, seu vice assumirá o governo e, nesse caso, seria o candidato natural à reeleição, como manda as regras do tucanato.

Outro nome forte na sigla, o ex-governador Geraldo Alckmin não conseguiu destravar sua guerra interna com seu ex-apadrinhado, João Doria, e já comunicou aos seus aliados que deve deixar o partido.

Diante do impasse, acabam de surgir outros três pré-candidatos ao governo paulista pelo partido: Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo; Marco Vinholi, presidente estadual do PSDB e secretário de Desenvolvimento Regional de Doria; e Cauê Macris, secretário da Casa Civil do governo estadual. Esses três nomes já estão se articulando e trabalhando nos bastidores do PSDB estadual. O clima promete esquentar no partido nas próximas semanas.

Uma forma do partido se manter nas vitrines é continuar atuante na Prefeitura da Capital, mesmo após a perda de Bruno Covas. Para o coordenador regional do PSDB e membro da executiva estadual dos tucanos em São Paulo, Alexandre Mustafa, a grande perda para o partido foi a figura emblemática do Bruno Covas, uma grande liderança dentro das fileiras tucanas.

"Por outro lado, fica a certeza da semente que ele deixou para o surgimento de novas lideranças, como foi o seu próprio caso. Bruno é um ideal, é um valor para a política nacional em geral. Do ponto de vista político, não existe perda para o PSDB. É a continuidade de governo, continuidade programática, a equipe de trabalho é a mesma, a linha segue inalterada e os objetivos são os mesmos. O próprio Ricardo Nunes indica que será a mesma diretriz do prefeito Bruno Covas", afirma.

Com Nunes assumindo, a cidade de São Paulo volta a ser governada por um prefeito do MDB - antigo PMDB - depois de quase quatro décadas. A última vez que o partido dirigiu a capital foi com o avô de Bruno, Mário Covas, que era do PMDB antes da fundação do PSDB. Ele ficou no cargo por dois anos.

Presidente do diretório do PSDB em Jundiaí, Fernando de Souza reforça que a sigla continuará em atuação no estado. "O impacto é pequeno, principalmente para o diretório municipal. Enquanto dirigente partidário em um sentido mais amplo, quando se forma uma chapa ela é fruto de uma composição e o PSDB ainda deve se sentir inserido como membro da administração. A perda sob o aspecto partidário é grande, principalmente pelas circustâncias, mas há alinhamento e plano de governo deve ser mantido", garante.

Michel Temer também comentou sobre o colega de partido e salientou que Covas e Nunes eram próximos e reforçaram laços de amizade na última campanha. De acordo com o ex-presidente, o novo prefeito se distingue pela "serenidade" e vai dar sequência ao programa de governo do antecessor, que foi muito elogiado pelo ex-presidente.

Em uma de suas primeiras falas, Nunes disse que a assistência à população vulnerável da cidade é um dos desafios da sua gestão. O emedebista voltou a dizer que vai dar continuidade à gestão de Bruno Covas e vai manter a composição política feita pelo antecessor na gestão do município.

O novo prefeito também ressaltou a importância da revisão do Plano Diretor como alternativa para minimizar os efeitos da pobreza agravados pela pandemia de coronavírus. A proposta é ampliar a moradia popular no Centro da cidade, que já possui infraestrutura e tem poucos moradores, além de gerar empregos na periferia.

Ricardo Nunes também é crítico do repasse bilionário de verbas da prefeitura para as empresas de ônibus da cidade em forma de subsídios, assunto que sempre gera tensão entre ele e o vereador Milton Leite (DEM), presidente da Câmara de Vereadores, que apoiou a indicação de Nunes para vice de Bruno Covas em 2020. O ex-vereador também é profundo conhecedor das contas do município e fez parte da Comissão de Finanças da Câmara Municipal.

 


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