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CPI convoca nove governadores para depor

A comissão também decidiu convocar novamente o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello


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CPI convoca nove governadores para depor
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A CPI da Covid aprovou ontem requerimentos de convocação de nove governadores que deverão informar aos senadores como foram aplicados os recursos federais destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus. Além disso, a comissão decidiu convocar novamente o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga.

O objetivo da cúpula da CPI é neutralizar críticas, inclusive nas redes sociais, de que o colegiado tem como único foco o presidente Jair Bolsonaro. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse que os governadores chamados a prestar depoimento até meados de junho são ou foram alvo de investigações da Polícia Federal.

Estão na lista dos convocados os governadores Wilson Lima (Amazonas), Helder Barbalho (Pará), Wellington Dias (Piauí), Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Carlos Moisés (Santa Catarina), Mauro Carlesse (Tocantins), Antonio Denarium (Roraima), Waldez Góes (Amapá) e Marcos Rocha (Rondônia). Desafeto de Bolsonaro, o ex-governador do Rio Wilson Witzel - que sofreu impeachment - também foi convidado.

Depois de muita discussão, a CPI convocou para depor, ainda, o assessor de Bolsonaro para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, o ex-assessor especial da Presidência Arthur Weintraub e o empresário Carlos Wizard. Os três são suspeitos de integrar um "gabinete paralelo" para orientar o presidente e o então ministro Pazuello sobre como conduzir a crise sanitária. Há relatos de que partiu dessas conversas, por exemplo, a ideia de mudar a bula da cloroquina para recomendá-la no tratamento de covid-19, embora o medicamento não tenha eficácia comprovada. Até mesmo o ex-marqueteiro de Pazuello, conhecido como Markinhos Show, foi chamado pela CPI.

A votação dos requerimentos provocou bate-boca na sessão e divergências nos bastidores entre integrantes do G-7, grupo majoritário, composto por sete senadores de oposição e independentes. A tropa de choque de Bolsonaro, com quatro parlamentares, queria chamar o governador de São Paulo João Doria - adversário do presidente -, mas não conseguiu.

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), chegou a protocolar pedido de convocação de Bolsonaro. A partir daí, o clima esquentou. "Isso é uma estratégia para não convocar governadores. Esse requerimento vai em afronta total ao princípio de separação dos poderes", reagiu o senador Marcos Rogério (DEM-RO), vice-líder do governo. "Vedações da Constituição e regimento valem para presidente da República e governadores. Se abrimos precedente (ao convocar governadores), que seja para todos", rebateu Randolfe, ao ironizar a proximidade do colega com o presidente. "Marcos Rogério deve esta morando no Alvorada já."

Outro momento de tensão ocorreu quando o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) disse que também era preciso convocar os prefeitos à CPI. "Vossa Excelência é um oportunista e um oportunista pequeno. Desde o primeiro momento, toda a sociedade brasileira que tem inteligência sabe que Vossa Excelência está aqui com um único motivo, para que a gente não investigue por que o Brasil ficou sem vacina. E Vossa Excelência, que não entende patavina de Saúde, quer impor a cloroquina para a sociedade. Vossa Excelência é um oportunista!", criticou o presidente da CPI.

"Senador Omar Aziz, o senhor fez uma agressão", rebateu Girão. "Me leve para o Conselho de Ética. Me leve! Vossa Excelência não respeita ninguém, Vossa Excelência age sorrateiramente", devolveu Aziz.


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