Política

Médica fala sobre passagem relâmpago por secretaria

CPI da Covid Luana Araújo ficou apenas dez dias no cargo de secretária extraordinária de enfrentamento à pandemia


Waldemir Barreto
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia realiza oitiva de médica infectologista Luana Araújo
Crédito: Waldemir Barreto

Depois de ocupar informalmente a cadeira de secretária extraordinária de enfrentamento à pandemia por apenas dez dias, a infectologista Luana Araújo afirmou nesta quarta-feira (2), à CPI da Covid, que desconhece a razão de não ter sido oficializada no cargo.

Ela disse que nunca recebeu uma explicação detalhada sobre o seu desligamento. No entanto, citou que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a informou que seu nome "não ia passar pela Casa Civil".

Ao inquirir Luana, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pediu para que ela se esforçasse para descrever, com o máximo de detalhes que pudesse, as circunstâncias de sua dispensa por Queiroga.

"Trabalhei o dia todo na tentativa de organizar a estrutura da secretaria, porque nós já sabíamos da variante indiana que estava na Argentina. Estava tentando organizar isso", relembrou a médica.

E continuou: "No final da tarde fui chamada ao gabinete do ministro. Quando entrei, ele (Queiroga) me informou que teria de abrir mão de mim".

Rodrigues perguntou se ela podia dizer, então, que tinha sido vetada por alguém. Mas Luana disse que não tinha como chegar a essa conclusão. "Ele (o ministro Queiroga) não me disse as causas e eu também não perguntei. Tudo é político quando a gente está aqui dentro. Existiu um pesar sobre abrir mão disso, porque estávamos desenvolvendo um bom trabalho em um período muito curto, mesmo eu não tendo sido nomeada oficialmente", afirmou.

CLOROQUINA

Sobre a cloroquina, medicamento para tratamento da malária, a médica explicou que o medicamento atua de duas formas: por ação direta contra o parasita e por modulação do sistema imunológico. "Nenhuma dessa circunstâncias foi provada ser eficaz na questão da covid propriamente dita", afirmou.

Ela citou ainda que alguns medicamentos antivirais para HIV funcionaram in vitro contra a covid-19, mas que não funcionaram no organismo humano. "Se eu colocar essa cultura viral no micro-ondas, o vírus vai morrer. Mas não é por isso que vou pedir para o paciente entrar no forno duas vezes ao dia", disse ao senador.

A médica frisou que isso precisa ficar claro para as pessoas que estão em casa. "Não é que a gente não queira que as pessoas tenham acesso ao medicamento. Pelo contrário. Se houvesse alguma oportunidade que a gente pudesse depositar nossas confianças e vida das pessoas nela, a gente teria usado. Infelizmente, com todo o pesar do mundo, não tem."

TESTAGEM

"Com relação à intervenção precoce, ela não significa a adoção de terapêutico. Significa a intervenção para diminuir o risco de agravamento e/ou cessar a cadeia de transmissão", continuou. "Por isso que eu mencionei que o diagnóstico precoce do paciente é fundamental, e esse plano de testagem em massa que tem tudo para ser levado a cabo pelo ministro Queiroga", finalizou.


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