Política

Sem Garcia, DEM estuda os próximos passos em São Paulo

ELEIÇÕES 2022 Com Alckmin insatisfeito no PSDB e a candidatura tucana de Rodrigo Garcia, DEM passa por momento de definição


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Rodrigo Garcia migrou para o PSDB e deve ser o candidato tucano ao governo do estado de São Paulo em 2022
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Historicamente unidos nas disputas presidenciais desde 1994, PSDB e DEM devem caminhar em lados opostos na eleição do ano que vem. Por trás desse divórcio está uma disputa pelo governo do estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil.

"A postura desagregadora do governador de São Paulo amplia o seu isolamento político e reforça a percepção do seu despreparo para liderar um projeto nacional", disparou o presidente nacional do Democratas, ACM Neto, em nota oficial ao oficializar o rompimento do partido com João Doria (PSDB).

Com pretensões de disputar o Palácio do Planalto, Doria contava com o apoio do DEM em 2022. Tudo ia bem até a eleição que escolheu o novo presidente da Câmara dos Deputados, em fevereiro deste ano. O candidato apoiado pelo então presidente Rodrigo Maia (DEM) e pelo governador de São Paulo foi derrotado por Arthur Lira (PP-AL).

Parte da culpa pelo revés foi atribuída a ACM Neto, que liberou a bancada do DEM na Câmara para votar como quisesse. A derrota rachou o partido democrata e causou uma fissura na aliança em São Paulo.

Presidente do diretório do DEM em Jundiaí, José Galvão Braga Campo, o Tico, diz que ainda há cooperação entre os partidos e nenhum dos dois perdeu nem ganhou força. "O que houve, de fato, foi a saída do Rodrigo Garcia, para buscar a vaga de governador. Mas temos de entender que o DEM continua como uma força no estado e não me parece, em uma visão superficial, que os partidos racharam. Também não está definido se o DEM realmente terá um candidato próprio para governador. O Alckmin, por exemplo, é um nome consolidado importante e pode ir pra qualquer lugar", afirma.

Tico lembra ainda que o DEM hoje faz parte do governo, tanto em Jundiaí quando no estado. "Então oficialmente não há um racha. Em Jundiaí, as siglas têm história que se confunde e o DEM sempre foi uma força que se aliou ao PSDB, tem o vice-prefeito e segue sendo uma parte fundamental do governo, tanto do Executivo quanto do Legislativo", comenta.

A ida de Rodrigo Garcia ao PSDB provocou a ira de ACM, que pretendia lançar Garcia ao Palácio dos Bandeirantes com o apoio do PSDB. O vice-governador será candidato ao governo em 2022, mas agora pelo partido tucano e com todo o apoio de Doria. A pré-candidatura de Garcia foi anunciada no dia 1º de junho.

Esse movimento ampliou também um racha interno no PSDB. Parte dos tucanos defende a candidatura de Geraldo Alckmin para suceder Doria. Atualmente sem mandato político, o ex-governador aparece como favorito nas pesquisas de intenção de voto realizadas até agora. Entretanto, Alckmin tem minoria dentro da sigla e não tem o apoio do atual governador, que foi seu afilhado político no passado.

Geraldo Alckmin ainda não cravou se irá enfrentar as prévias do partido contra Rodrigo Garcia. Com o diretório estadual sob controle de Doria, os apoiadores do ex-governador temem que a situação dele fique insustentável dentro do PSDB em caso de derrota.

Segundo o presidente estadual do PSDB, Marcos Vinholi, até o momento, a única manifestação de interesse em disputar o Palácio dos Bandeirantes foi de Garcia. Aliados de Doria tentam convencer Alckmin a disputar uma vaga no Senado, já que o senador José Serra termina seu mandato em 2022 e sinalizou que não pretende disputar a reeleição.


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