Política

PT projeta Bolsonaro popular e disputa acirrada para 2022

Eleições Gerais Principal adversário do presidente, Partido dos Trabalhadores prevê um salto de popularidade até o dia do pleito


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Pesquisas mostram Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva como favoritos ao segundo turno em 2022
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Integrantes da cúpula do PT avaliam que o presidente Jair Bolsonaro deve reduzir sua rejeição e recuperar parte de sua popularidade até o início do ano eleitoral. Para aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a disputa nas urnas em 2022 deve ser mais acirrada do que mostram as pesquisas eleitorais e os levantamentos internos feitos pelo partido.

Estão no radar dos petistas variações na popularidade de Bolsonaro como consequência de dois indicadores principais: o crescimento da economia após os resultados negativos do ano passado e o aumento esperado da vacinação contra a covid-19 até o fim deste ano.

Em discussões internas com a participação de Lula, os integrantes do partido defendem que a campanha seja encarada de uma "perspectiva realista", nas palavras de um dirigente da sigla.

Embora admitam que a economia possa dar algum fôlego a Bolsonaro para o ano eleitoral, eles dizem que esses efeitos tendem a ser limitados. "Bolsonaro não está tão fraco assim. Ele tem uma resiliência na base e ainda pode agregar mais um pouco. Se a economia melhora, a tendência é ele melhorar também. Mas não acho que seja suficiente", afirma a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

O principal argumento da cúpula petista é que os indicadores do PIB (Produto Interno Bruto) mostraram, até agora, uma recuperação que não chegou às camadas mais pobres da população.

Um dos principais focos da campanha de Lula será um discurso para se contrapor a Bolsonaro nesse grupo numeroso do eleitorado.

A análise desse cenário político pelos petistas contrasta com o otimismo do partido diante das pesquisas que mostraram vantagem de Lula na corrida de 2022.

Levantamento do Datafolha em maio mostrou o petista com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% de Bolsonaro. No segundo turno, o ex-presidente venceria por 55% a 32%.

A direção do PT ainda considera Lula favorito, mas tem adotado tom mais cauteloso. Certos de que a rejeição a Bolsonaro poderá ser um fator determinante na campanha, os petistas estudam maneiras de prolongar o ciclo atual de fragilidade do presidente. Fazem parte dessa estratégia um apoio mais encorpado às manifestações contra o governo e uma campanha continuada de críticas aos erros do combate à pandemia.

"O povo está muito frustrado. O povo está decepcionado. O coronavírus permitiu que a sociedade ficasse um pouco mais dentro de casa, sem se manifestar, com medo. Mas eu acho que nós precisamos ir para a rua e começar a cobrar que esse país seja governado decentemente", disse Lula em entrevista a uma emissora de TV do Piauí, na quarta-feira (9).

Segundo aliados do ex-presidente, Lula pretende dar sustentação a novos atos convocados contra o governo, encabeçados por movimentos sociais. Numa mudança de postura, o petista avalia participar das manifestações do próximo sábado (19) ou divulgar um vídeo com uma convocação para o protesto.

Apesar de enxergar possíveis benefícios políticos nesses atos, os aliados de Lula ainda buscam se diferenciar de Bolsonaro.


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