Política

PSDB considera abrir mão da Presidência em 2022

Candidatura O presidente Bruno Araújo diz que a sigla está aberta a alianças fora da polarização entre Lula e Bolsonaro


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João Doria e Bruno Araújo têm travado disputas internas no partido por conta das eleições do ano que vem
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O presidente do PSDB, Bruno Araújo (PE), disse ontem (19) que, em nome de uma unidade "distante da polarização", o partido não descarta renunciar a ter uma candidatura própria na próxima eleição presidencial, prevista para ocorrer em 2022. "O PSDB está aberto até o último momento nas convenções de construir essa unidade no campo distante da polarização entre o presidente [Jair] Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] (PT)", afirmou.

Como condicionante, Bruno Araújo frisou que "ninguém pode querer um apoio sem ter disposição de apoiar". As regras para as prévias do PSDB já foram definidas e o processo está programado para ocorrer em novembro. Desde o início da Nova República, advinda com o fim da Ditadura Militar (1964-1985), o PSDB nunca deixou de lançar um candidato ao Palácio do Planalto. Entre 1994 e 2014 foram seis eleições, todas com os tucanos fazendo contraponto ao Partido dos Trabalhadores.

Na eleição presidencial de 2018, com a candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, o PSDB marcou apenas 4,76% dos votos válidos e ficou na quarta colocação: o pior desempenho do partido na história da corrida eleitoral pelo Planalto.

'Terceira via'

Para o presidente da sigla, pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente mostram que "uma maior parte do eleitorado brasileiro" prefere "votar nem um, nem em outro", referindo-se a Lula e a Bolsonaro, o que abre margem para uma candidatura de centro viável.

Analisando o cenário, Araújo afirmou que, entre mirar em Lula ou em Bolsonaro para cavar um nome de centro no segundo turno, "a maior visibilidade está em ocupar a vaga" do atual presidente. "Se isso acontecer, acho que esse candidato tende a ser o próximo presidente", afirmou.

Prévias

Na disputa interna do partido, João Doria finalmente começou a intensificar sua campanha para as prévias do PSDB de outubro. Por enquanto, enfrentará dois concorrentes: o governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o senador Tasso Jereissati, do Ceará. Tasso deverá desistir.

A estrutura do governo paulista entrou de vez em campo para assegurar a vitória de Doria; está fazendo filiações em massa de simples eleitores, mas também de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores que pertenciam a outros partidos.

No último fim de semana, Doria reuniu-se com filiados do PSDB no Mato Grosso do Sul e em Goiás. Tem-se apresentado como o pai da vacinação contra a covid e o melhor nome disponível para quem não queira votar nem em Lula e nem em Bolsonaro.

No conturbado ninho tucano, no entanto, o governador paulista está longe de ser unanimidade no PSDB para encabeçar uma chapa ao Palácio do Planalto em 2022 e, por isso, terá de se provar internamente como o melhor nome em uma verdadeira corrida de obstáculos.

Além disso, ele não conta com a simpatia dos caciques da sigla, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que declarou preferência pelo senador Tasso Jereissati.


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