Política

Documentos da Precisa para a Saúde foram fraudados

Negociações O próprio laboratório indiano negou a autenticidades de dois documentos enviados ao Brasil para as vendas


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O Ministério da Saúde chegou a prever a dispensa da necessidade de garantia da Covaxin no contrato
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O laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante da vacina Covaxin, negou a autenticidade de dois documentos enviados pela Precisa Medicamentos para o Ministério da Saúde, com carimbo da Bharat Biotech, assinatura de um suposto diretor-executivo e papel timbrado. A farmacêutica indiana também anunciou a extinção imediata do acordo com a Precisa Medicamentos.

"Recentemente, fomos informados de que certas cartas (conforme anexo), supostamente assinadas por executivos da empresa, estão sendo distribuídas on-line. Gostaríamos de ressaltar, enfaticamente, que esses documentos não foram emitidos pela empresa ou por seus executivos e, portanto, negamos veementemente os mesmos", diz nota divulgada ontem (23) pelo laboratório indiano.

O Ministério da Saúde vai rescindir o contrato com a Precisa Medicamentos em razão do descredenciamento da empresa feito pela farmacêutica Bharat Biotech na manhã desta sexta-feira (23).

A decisão foi tomada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e deverá ser oficializada neste domingo, quando está prevista uma reunião do ministro com o secretário-executivo Rodrigo Cruz. Com isso, será também cancelada a nota de empenho de R$ 1,6 bilhão que estavam reservados para o negócio.

O governo, porém, não pretende fazer negócio com a Bharat Biotech e portanto a vacina Covaxin não entrará no Plano Nacional de Imunização, ainda que a farmacêutica indiana encontre outro representante no Brasil. A ideia é usar os recursos para comprar mais vacinas das que já estão sendo utilizadas no país: Coronavac, Jansen, Astrazeneca e Pfizer.

CPI

A CPI da Covid avalia que a decisão da Bharat Biotech, fabricante indiana da vacina Covaxin, de cancelar o contrato com a Precisa Medicamentos reforça os indícios de irregularidades no contrato do governo federal para comprar o imunizante contra o coronavírus. Além de romper com a Precisa, o laboratório da Índia nega ter assinado cartas enviadas ao Ministério da Saúde, o que levanta suspeita de fraudes nos documentos.

"O mais grave é que eles dizem que falsificaram documentos, a própria empresa (Bharat Biotech) está dizendo", afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão. O político do PSD afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem de reavaliar o habeas corpus concedido a Francisco Emerson Maximiano, dono da Precisa Medicamentos. O Supremo permitiu que o empresário pudesse ficar em silêncio no depoimento à CPI, que deve acontecer no início de agosto, na volta do recesso parlamentar.

O relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que a decisão de romper a parceria com a Precisa representa um reconhecimento das apurações da CPI: "O cancelamento do contrato da Bharat com a Precisa é um reconhecimento da indústria indiana das irregularidades apontadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito".

De acordo com o relator, a decisão da Bharat não prejudica os rumos do colegiado. "As investigações serão aprofundadas. Não muda nada, já temos a prevaricação do presidente e vamos responsabilizar todos que participaram dessa ignomínia com a vida dos brasileiros", declarou Renan.


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